As notícias não são boas para o servidor público de São Vicente. Em campanha salarial, a categoria não deve receber aumento este ano. A informação foi adiantada pelo prefeito Luis Claudio Bili, ontem, em entrevista ao Diário do Litoral. O chefe do Executivo disse que a situação financeira da cidade é grave e a prioridade é conseguir arcar com a folha de pagamento atual. O município tem um déficit de aproximadamente R$ 14 milhões por mês.
“O servidor não vai ter aumento. Não tem condições porque nem o assumido estou conseguindo cumprir. Não adianta dar o aumento sem poder cumprir nem o que não estou conseguindo o que devo cumprir”, afirmou Bili. Segundo o prefeito, os escalonamentos de salário deve continuar. Na próxima segunda-feira (16), o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Vicente (SindservSV) tem uma reunião agendada com o chefe do executivo para tratar da campanha salarial da categoria.
O prefeito disse que a situação financeira de São Vicente é grave. O orçamento de 2016 é estimado em R$ 1,08 bilhão e o município possui um grande déficit mensal. “Estamos virando o mês perto de R$ 14 milhões de déficit. Lógico que fica alguns serviços sem ser honrados, infelizmente”, ressaltou.
Segundo ele, a inadimplência no pagamento do IPTU, que chega a proporção de seis carnês pagos a cada 10 lançados, é muito grande e afeta diretamente as contas. “Nós temos um problema sério. Setores da sociedade vicentina, em regiões periféricas, que nem lançados são e utilizam muitos serviços. De escola, creches e assistência à saúde. Então essa conta é muito difícil de fechar”, afirmou.
Nem mesmo a recente demissão de 300 cargos de confiança (250 na Prefeitura e 50 na Codesavi) foram suficientes para dar um fôlego às contas, segundo Bili. “As demissões poderiam ter sido feitas antes, mas a gente esperava que não precisasse, que a máquina pudesse tocar. Não deu para desafogar ainda. Esse resultado é a médio prazo e não a curto prazo. Infelizmente nós não estamos honrando os salários. Os salários estão atrasados”, destacou.
O prefeito disse que sabe dos problemas que a cidade enfrenta e que acredita em ‘dias melhores’, apesar do cenário extremamente negativo. “Quero deixar claro ao leitor que eu não estou feliz com essa situação, com criança fora da escola, as creches com dificuldades, salários atrasados. É muito negativo para qualquer cidadão no seu estado normal. Não fiz nenhuma loucura. Não cometi nenhum deslize. Cometi erros naturais da administração pública, mas improbidade, roubo, qualquer coisa absurda tenham certeza que não cometi. A gente sempre tem esperança de um dia melhor. Espero que seja mais suave porque tem sido dias difíceis”, afirmou.
Encontro
Durante a entrevista, Bili destacou o encontro que teve recentemente com sete dos 10 pré-candidatos à Prefeitura de São Vicente. Ele não confirma se disputará a reeleição, mas diz que pretende repassar ao seu sucessor todas as informações sobre a situação do município.
“Chamei essa reunião para que estejam conscientes não só de planejarem as suas campanhas como também estar cientes dos números. Tive dificuldade nas informações e o prefeito anterior não fez uma transição como eu pretendo fazer, independente de quem ganhar a eleição. Eu não tenho essa definição se serei candidato ou não. O momento político que o país atravessa é ruim e São Vicente infelizmente está atravessando suas turbulências. Estou avaliando”, disse.
Questionado sobre erros e acertos de sua gestão, Bili disse que as alianças políticas não foram bem sucedidas. “O erro foi de alianças. Algumas alianças que fiz foram equivocadas. Acertos não foram poucos. Por exemplo, nós asfaltamos mais ruas, sem cobrar do cidadão, em três anos do que eles asfaltaram em 16 anos”, afirmou.
Sobre os aliados políticos que ainda permanecem ao seu lado, Bili disse que são poucos, mas sinceros. “A perda de aliados é natural. Tem um dito popular, que ainda não é o meu caso, que diz rei posto é rei morto. Os aliados hoje são menores, mas são mais sinceros”, destacou.
O prefeito também comentou o cenário político da cidade, que deve contar com um número maior de postulantes ao cargo de chefe do executivo e, pela primeira vez, ter segundo turno eleitoral.
“O debate de ideias é riquíssimo para a sociedade e se eu por acaso deixei algum legado, quem foi responsável dessa pluralidade de candidaturas, não tenha dúvida que fui eu. Enfrentei um sistema cujo um período participei. Fui membro do PSB, mas tive coragem de dizer para a sociedade que tem que ter pluralidade nas suas escolhas. Se ficou algum legado, esse legado eu sou o responsável”, destacou.
Licitação do transporte será realizada
O prefeito Luis Claudio Bili reafirmou que não teve participação no esquema ilegal no transporte público de São Vicente, investigado pela Polícia Civil e o Ministério Público e denominado Operação Martim Afonso. O chefe do Executivo disse que a prefeitura realizará, ainda neste semestre, licitação para a gestão da bilhetagem eletrônica.
“O nosso desafio e obrigação é disciplinar o transporte municipal. A licitação vai ter com toda certeza. Acreditamos que ainda neste semestre ocorra a licitação para a gestão da bilhetagem eletrônica. A Cooperlotação vai ter o direito de participar da licitação. É uma consequência natural ter uma licitação pública para regulamentar disciplinar”, afirmou o prefeito.
Bili ressaltou que o decreto publicado para o setor teve a finalidade exclusiva de regulamentar e disciplinar o transporte público da cidade. “Eu faço um desafio ao leitor e a qualquer cidadão vicentino para ter acesso ao decreto e que possa ler. É um decreto extremamente disciplinador, onde não representa empresa alguma”, destacou.
