Rebaixamento do Brasil ‘não significa nada’, diz Lula

Em visita à Argentina, ele afirmou que o governo não deve aceitar a "receita" que vem desses organismos

A perda do selo de bom pagador pelo Brasil “não significa nada”, na opinião do ex-presidente Lula. Em visita à Argentina, ele afirmou que o governo não deve aceitar a “receita” que vem desses organismos.

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“É importante que a gente tenha em conta que o fato de ter diminuído o grau de investimento não significa nada. Significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer”, afirmou Lula.

“Porque quando eles diminuem, vem a receita de mais arrocho, mais ajuste, mais desemprego, mais corte de gastos. Não vem nunca nunca mais educação, mais profissionalismo, mais investimento”, acrescentou.

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Lula também criticou as agências de classificação de risco.

“Eu acho engraçado como eles têm facilidade de tomar medidas contra a dor de barriga na América Latina”, disse. “Todo mundo sabe quantos países da Europa estão quebrados. E eles não têm coragem de reduzir o rating de nenhum deles”.

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Lula afirmou que, quando foi eleito, em 2003, levou seus ministros, principalmente os representantes da área do Planejamento e da Fazenda, para “pegar na mão de um pobre”.

“Era importante que o ministro do Planejamento e da Economia soubessem que eles não estavam governando apenas para as agências de rating. É importante que eles soubessem que havia um outro Brasil, que parecia invisível, que só aparecia nas estatísticas e que, para alguns, simbolizavam os problemas do Brasil”, afirmou.

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Segundo Lula, quando assumiu a Presidência, muitos economistas lhe diziam que o Brasil “estava quebrado, não tinha conserto, que não era possível governar, que não tinha dinheiro sequer para fechar o caixa no final do ano”.

Ouvir a sociedade

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“Eu ficava me perguntando: se essas pessoas são meus amigos e me dizem que o país está quebrado, que diabo de amigos me elegeram presidente?”, disse. “Aí eu resolvi ouvir a sociedade brasileira. Eu resolvi compartilhar o mandato. Eu falo muito, mas eu ouço muito”.

O ex-presidente disse que procurou ouvir empresários e trabalhadores.

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“Duro é quando você pensa que sabe tudo sozinho”, afirmou. “Eu não tinha uma tese para governar, eu tinha um projeto e o meu projeto era melhorar a vida das pessoas mais humildes, porque eu sabia quando os mais pobres subissem um degrau na escala social todo mundo poderia ganhar”.

Lula está na Argentina a convite da fundação DAR (Fundación Desarollo Argentino), controlada pelo governador Daniel Scioli, que concorre à presidência com o apoio da presidente Cristina Kirchner. Ele discursou em uma seminário sobre responsabilidade social.