Escolha de Alencar provoca forte desconforto no prefeito de Recife João Campos / Reprodução/Ricardo Stuckert/ PR
Continua depois da publicidade
A nomeação de Tadeu Alencar (PSB-PE) como o novo ministro do Empreendedorismo abriu uma crise interna no governo que pressiona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mal-estar decorre do fato de Alencar ter votado a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Aliados próximos a Lula agora articulam pela exoneração do novo ministro, que assumiu a pasta após a saída de Márcio França (PSB), que deixou o cargo para disputar o Senado por São Paulo. O episódio tensionou a relação entre o PSB e o PT, expondo feridas não cicatrizadas do passado político recente.
Continua depois da publicidade
A escolha também não agradou ao prefeito de Recife e vice-presidente nacional do PSB, João Campos. Embora haja um vínculo familiar (o filho do novo ministro é casado com a irmã de Campos), o prefeito preferia a indicação de Paulo Pereira, atual secretário nacional do Consumidor.
Demonstrando a hesitação do partido, o PSB chegou a parabenizar Tadeu pela posse nas redes sociais, mas apagou a publicação apenas 30 minutos depois.
Continua depois da publicidade
Segundo o jornalista Bruno Hoffmann, da Gazeta de SP, fontes indicam que Alencar "jogou parado" e foi alçado ao cargo de forma automática, sem grandes negociações com a base aliada. "A nomeação ocorreu quase por inércia administrativa", afirmou uma pessoa próxima ao ministério.
Apoiadores e membros do PT reagiram negativamente, lembrando o papel ativo de Tadeu no que classificam como o "golpe" contra Dilma Rousseff. Para esses grupos, a presença do ministro no primeiro escalão é inaceitável devido ao seu histórico na votação de 2016.
Tadeu Alencar possui uma trajetória consolidada: foi deputado federal por Pernambuco em dois mandatos (2015-2023) e atuou como secretário nacional de Segurança Pública no Ministério da Justiça.
Continua depois da publicidade
A nomeação de Alencar faz parte de uma movimentação ampla na Esplanada. Na última semana, 16 ministros foram exonerados de seus cargos. A saída em massa visa cumprir o prazo de desincompatibilização estabelecido pela Justiça Eleitoral, permitindo que os agora ex-ministros concorram no pleito deste ano.