Na TV, Eduardo Cunha diz que ‘há muito por fazer’

A postura na TV contrastou com a entrevista concedida pela manhã quando o peemedebista fez duras críticas ao Planalto e anunciou seu rompimento pessoal com o governo

No dia em que anunciou a ruptura com o governo da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou, durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, que a Casa nunca trabalhou como agora e que “ainda há muito por fazer”. Mas ressaltou que é seu dever assegurar a governabilidade do País.

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A postura na TV contrastou com a entrevista concedida pela manhã quando o peemedebista fez duras críticas ao Planalto e anunciou seu rompimento pessoal com o governo federal.

No pronunciamento, ele foi protocolar. “Hoje o Brasil vive uma crise, crise com a qual todos sofrem e que o governo busca enfrentar com medidas de ajuste que a Câmara tem avaliado com critério sempre atenta a governabilidade do País, que é nosso dever assegurar”, disse.

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Numa crítica indireta ao Executivo, Cunha, porém, lembrou a história da fundação de Brasília e disse que a capital foi inaugurada para os Poderes viverem em harmonia. “Mas quatro anos depois, infelizmente, o Brasil tornou-se uma ditadura e a independência dos Poderes acabou”, disse. “Só recentemente o Judiciário e o Legislativo recuperaram sua independência e o equilíbrio entre os Poderes.”

Cunha afirmou ainda que a Câmara “independente” de hoje é um poder com muito mais iniciativa. “Estamos dando respostas urgentes, a população não aguenta mais esperar.”

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A cadeia nacional de rádio e TV foi convocada pelo presidente da Câmara com a justificativa de prestar contas do trabalho da Casa. Segundo ele, são as principais demandas da sociedade que pautam os trabalhos dos deputados e destacou votações recentes como a redução da maioridade penal e a reforma política. “Nossas pautas beneficiam as pessoas simples”, disse.

‘Oposição’

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No dia seguinte ao depoimento do lobista Julio Camargo, que acusa Cunha de exigir US$ 5 milhões de propina por contratos da Petrobrás, o peemedebista disse que passava à condição de “oposição” ao governo Dilma.

“Eu, como político e deputado do PMDB, e não como presidente da Câmara, vou pregar no congresso do PMDB, em setembro, que o PMDB saia do governo. Eu, pessoalmente, a partir de hoje, me considero com um rompimento pessoal com o governo.” Cunha disse que, como deputado, não aceita que o seu partido faça parte de um governo que quer arrastar os que o cercam “para a lama”.

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Ele voltou a afirmar que é vítima de perseguição do Planalto em conjunto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Tem um bando de aloprados no Palácio que vive de criar constrangimentos”, disse. Segundo ele, o governo não o “engole”. “O governo tem um ódio pessoal contra mim.”

Cunha também criticou os procedimentos adotados pelo juiz federal Sérgio Moro na delação de Julio Camargo. Para o peemedebista, o juiz não poderia ter colhido depoimentos contra alguém que tem foro privilegiado. Ele alega que isso só poderia ser feito pelo Supremo Tribunal Federal.

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“Juiz de primeiro grau não poderia ter conduzido depoimento daquela maneira. Ele violou o procedimento de foro privilegiado, ao qual eu tenho acesso.”