Moraes defende punição drástica a quem usar inteligência artificial em eleições

Ele voltou a pedir a regulamentação da ferramenta pelo Congresso Eleitoral já para as próximas eleições

Presidente do TSE, Alexandre de Moraes

Presidente do TSE, Alexandre de Moraes | Xinhua/Lucio Tavora

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, defendeu nesta terça-feira (12) a aplicação de “sanção drástica” a quem utilizar inteligência artificial para manipular as eleições.

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Ele voltou a pedir a regulamentação da ferramenta pelo Congresso Eleitoral já para as próximas eleições e disse que o Brasil é campeão absoluto no uso de aplicativos de mensagens que espalham esse tipo de conteúdo. Segundo o ministro, a tecnologia está crescendo geometricamente e pode mudar o resultado de uma eleição.

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“Manipulou o eleitor, ganhou a eleição, multa. A sanção deve ser drástica. Quem se utilizar de inteligência artificial para manipular a vontade do eleitor para ganhar as eleições, se descoberto for, cassação do registro, e se for eleito, cassação do mandato”, sugeriu. “São pouquíssimas regras em que nós poderemos, se não resolver todos os problemas, equilibrar o jogo democrático com a utilização da inteligência artificial.”

O ministro também afirmou que o TSE chama isso de estelionato eleitoral e já criou um grupo de trabalho no tribunal para regulamentar a questão por meio de uma resolução.

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“Imagina aparecer um vídeo do candidato que você procurou falando coisas absurdas, criadas por meio de inteligência artificial. Não podemos permitir, de forma alguma, que o eleitor tenha a sua vontade desvirtuada por meio de imagens que, às vezes, são mais perfeitas que filmes verdadeiros de dez anos atrás”, disse.

Moraes também a questão do uso da inteligência artificial para o consumidor. Ele disse que, apesar de ser um avanço tecnológico, ela pode ser desvirtuada pelas big techs e, por isso, elas devem ser responsabilizadas.

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Ele afirmou não ser possível que as big techs sejam consideradas de empresas de tecnologia e não de mídia ou publicidade. Moraes disse que, se elas monetizam, usam os algoritmos para inverter a ordem e indicar conteúdos, se estão recebendo por isso, elas devem ser responsabilizadas.

O ministro acrescentou que “o que não pode no mundo real, não pode no mundo virtual” e que as empresas não podem dizer que são apenas “depósitos”, em que as pessoas colocam e consultam conteúdos”.

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“Se você aluga um depósito para alguém, se assina um contrato, se a pessoa lá vai deixar droga, se a pessoa vai fazer um cemitério clandestino, mata pessoas e coloca, você não tem como saber. Agora, se você descobre e fala a partir de agora eu quero 10%, se você monetiza, se você está recebendo, você é corresponsável. Essa é sugestão que eu dei ao Congresso Nacional”, declarou.