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Política

Momento político não abala PSDB e PT

O cientista político Fernando Wagner Chagas acredita que João Doria deva olhar para a Baixada Santista com isenção e atenção, considerando a importância da região até pelo Porto de Santos.

Bárbara Farias

Publicado em 04/11/2018 às 06:10

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O governador eleito por SP, João Doria. / Wilson Dias/AB

João Doria legitimou sua vitória nas urnas para governador do estado de São Paulo por vantagem de pouco mais de 740 mil votos sobre o candidato do PSB, Márcio França. Com isso, consolida a hegemonia do PSDB no comando do estado mais rico da federação pela sétima vez consecutiva. No entanto, ele se mostra um estranho no ninho tucano, expressando ideias e interesses que não vão ao encontro da visão dos caciques, dos fundadores do partido. 

Além dessa suposta independência partidária de Doria, que tende mais ao liberalismo do que à social democracia, ou seja, mais à direita do que à centro-esquerda, ele também perdeu para Márcio França na Baixada Santista, região que tem seis prefeitos do PSDB. Na região, Doria venceu apenas nas cidade de Bertioga e Praia Grande. Mas e, agora, como ficará essa relação de Doria com a Baixada? Sobre isso, o Diário do Litoral consultou dois cientistas políticos.   
    
O cientista político Fernando Wagner Chagas acredita que João Doria deva olhar para a Baixada Santista com isenção e atenção, considerando a importância da região até pelo Porto de Santos. “Embora alguns prefeitos do PSDB na Baixada Santista tenham apoiado o candidato Márcio França, do PSB, principalmente no 2º turno da disputa eleitoral, acredito que encerrado o pleito, o futuro governador deva governar o estado para todos, não só para o interior, mas também para o litoral, mesmo porque a nossa região é de fundamental importância econômica para o país em razão do Porto, que garante boa parcela do comércio exterior do Brasil. 

Não se pode esquecer que João Dória perdeu na capital do estado e nem por isso vai poder abandonar a maior cidade do país em sua administração. Acabadas as eleições, deve prevalecer o espírito público e isento do vencedor, atendendo as necessidades de todas as localidades, independentemente de rusgas passadas na disputa eleitoral”, analisou Chagas.

Já o cientista político Rafael Moreira analisa que a relação entre o governador eleito e os demais prefeitos da Baixada que apoiaram Márcio França possa ser difícil. “Vale sempre a análise pregressa. Eu acho difícil que não haja algum tipo de retaliação, acho que isso nunca vai se dar de maneira explícita, logicamente, mas acho que essa relação que o Márcio França tinha com o Paulo Alexandre Barbosa (prefeito de Santos), ela (relação de Doria) vai ser muito diferente em relação aos prefeitos da região, ainda que a maioria seja do PSDB. Isso é prova do racha que o PSDB tem tido internamente”, diz. 

O PSDB enfrenta uma crise interna importante, mas sem chance de dissolução. “Há uma clara briga interna no PSDB entre os ‘cabeças brancas’, que são os membros antigos de partido, e os ‘cabeças pretas’, que formam a ala jovem, disputando o seu comando nos últimos tempos. Há grande possibilidade do lado derrotado nesse confronto partir para a formação de outro núcleo partidário ou aderir à outra legenda. De qualquer maneira, os tradicionais tucanos ainda comandam o partido e são experientes e bem articulados para manter a sua liderança, dificultando as pretensões do Dória e seus aliados”, analisa Chagas. 

Porém, a eleição de Doria também prova a representatividade e aceitação do partido no estado de São Paulo. “O PSDB tem muitos diretórios em todo o estado e prefeitos em vários municípios, tornando um candidato do partido forte concorrente pela disputa do governo estadual. Além disso, as políticas de desenvolvimento econômico e social dos governos do PSDB no estado durante todos esses anos agradaram bastante principalmente os municípios do Interior, garantindo a competitividade dos tucanos nas disputas estaduais”, afirma.

Para Chagas, Doria não é uma ameaça aos tucanos tradicionais no que diz respeito ao comando nacional do partido, caso tenha interesse em assumir a presidência ou indicar um nome, visando abrir caminho para sua candidatura a presidente da República pelo PSDB. Atualmente, Geraldo Alckmin preside o PSDB nacional.    

Já Rafael Moreira avalia a dificuldade do PSDB em “se tornar mais uma vez um partido orgânico, que tem um projeto político nacional. Acho que o partido vai ter muita dificuldade de voltar a ocupar o espaço que buscava desde a sua fundação”. 

PT enfrenta crise moral, mas filiados e militância  mantêm hegemonia

O Partido dos Trabalhadores (PT) vem enfrentando um desgaste político considerável nos últimos anos, com a prisão de lideranças pela Lava Jato e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mas apesar do abalo na estrutura do partido, os cientistas políticos Rafael Moreira e Fernando Wagner Chagas reconhecem sua legitimidade garantida pela militância e a recuperação do partido. 

Moreira analisa que o PT mantém sua hegemonia apesar do abalo estrutural. “O PT acabou de eleger a maio bancada dentro da Câmara dos Deputados, embora não tenha eleito presidente da República, o que mostra que o partido ainda tem uma boa capilaridade nacional. O PSDB, além de não ir para o segundo turno, na eleição do poder Executivo, também viu sua bancada diminuir”, afirma Moreira.

“O PT teve sua estrutura muito abalada de uns anos para cá, com a prisão de algumas lideranças, com o processo de impeachment. Apesar de tudo isso, o PT ainda é o partido com o maior número de filiados. Mas, o PT tem uma diferença, além de filiados, o partido tem muitos militantes, tem muita gente que milita em prol do partido, que acredita no seu projeto de redução da desigualdade a longo prazo. É o partido com o maior grau de identificação da população. 

A hegemonia que o partido tem no campo da esquerda, ainda que ele tenha sido fundado no campo da esquerda e migrado mais para o campo da centro-esquerda, essa hegemonia ainda é muito grande. Apesar de muitas lideranças estarem descoladas da base social do partido, há uma parcela considerável ainda na base do partido que tem uma militância, que é coerente, honesta, à esquerda”, afirmou Moreira. 

Da mesma forma, Chagas também reconhece a força política do PT. “Apesar da grande rejeição do PT em âmbito nacional, justamente por causa da má administração econômica do país e a corrupção em seus governos, mesmo assim conseguiu chegar no 2º turno e perder por cerca de 11 milhões de votos, mostrando vigor para se recuperar na oposição. 

Por outro lado, o partido da ‘estrela vermelha’ precisa entender que o Bolsonaro ganhou a eleição por ser um candidato anti-PT e antissistema, cuja imagem precisa ser recuperada com uma oposição firme, mas sem radicalismos, uma vez que as propostas extremas do partido desagradam a maior parte do povo brasileiro”, afirma Chagas. 

Mas, Chagas ressalta que para voltar a crescer, o PT deve retomar sua posição de centro-esquerda, abandonado o extremismo que retomou. “De um lado, se o PT fizer uma oposição radical liderada pela Gleisi Hoffmann, terá dificuldades de voltar ao Planalto Central, como ocorreu no passado, quando o ex-presidente Lula perdeu três eleições presidenciais por causa de suas propostas extremadas. 

Por outro lado, se o partido tiver como liderança o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, com propostas mais ponderadas, tendendo à centro-esquerda e podendo alcançar o espectro central da política brasileira, poderá ter chances nas próximas eleições presidenciais, dependendo principalmente do sucesso do Governo Jair Bolsonaro”, conclui.

Advogados municipais terão plano de carreira em Santos

 A lei que institui o Plano de Carreira dos Advogados Municipais, de autoria do Executivo, foi sancionada pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa na última quarta-feira, em solenidade que reuniu membros da diretoria da OAB Santos, os secretários de Gestão, Carlos Teixeira Filho, e de Governo, Rogério dos Santos, o vereador Bruno Orlandi (PSDB) e demais autoridades no Paço Municipal.

“Essa foi uma das nossas propostas de campanha e estamos muito felizes por mais essa conquista aos operadores do Direito”, comemorou o articulador da lei, o presidente da OAB Santos, Luiz Fernando Afonso Rodrigues.

A Prefeitura de Santos tem 11 advogados no quadro de servidores. 

Com o Plano de Carreira, a promoção se dará por merecimento e antiguidade. Também foram criados seis níveis e seis graus, escalonados, para definir os provimentos mensais, que variam de R$ 6.021,00 a R$ 12.215,91, caso o servidor obtenha todos os níveis e graus de progressão. A jornada passará de 40 para 30 horas semanais.

A promoção por merecimento dependerá de avaliação periódica de desempenho para a ascensão entre os graus. Se a promoção for pelo critério de antiguidade, a progressão entre os níveis ocorrerá de 5 em 5 anos, apenas para profissionais que não tenham registro de pena de suspensão em ficha funcional.

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