Maioria do STF vota contra anulação de depoimentos de Youssef

Nas delações premiadas, os acusados reconhecem participação nos crimes e comprometem-se a ajudar nas investigações em troca de benefícios como a redução de pena

A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou na tarde desta quinta-feira (27) um pedido para anular a delação premiada do doleiro Alberto Youssef com o Ministério Público Federal. Youssef é apontado como um dos principais organizadores do esquema de desvio de recursos da Petrobras. Foi a partir dos depoimentos dele que o STF abriu a maioria dos inquéritos contra 35 congressistas suspeitos de ligação com o esquema. Votaram para validar a delação os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Edson Fachin, Luiz Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Marco Aurélio Mello. Outros dois ministros ainda vão analisar o caso.

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O STF discute um recurso apresentado pela defesa de Erton Medeiros Fonseca, executivo da Galvão Engenharia, questionado o aval dado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, ao acordo de colaboração.

A defesa do executivo argumentou que Youssef não tem credibilidade para fechar uma colaboração porque quebrou o cumprimento de uma delação fechada em outro caso, o do Banestado.

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Nas delações premiadas, os acusados reconhecem participação nos crimes e comprometem-se a ajudar nas investigações em troca de benefícios como a redução de pena. O acordo precisa ser corroborado por provas.

Na sessão desta quarta, os ministros Toffoli -relator do caso-, Gilmar Mendes e Fachin já tinham votado. Nesta quinta, Fachin apresentou seu argumento. Para ele, não um acusado não pode contestar o acordo o acordo firmado por outro.

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Barroso também concordou com essa tese, mas considerou ainda que a quebra de um acordo não interfere em outro, sendo que, neste caso, o descumprimento trouxe consequências para Youssef, como prisão preventiva, ações penais retomadas e até condenação pelo caso Banestado.

“A delação não é homologada tão abstrata assim. É preciso ter uma dose de verossimilhança”, disse Luiz Fux.

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Alguns ministros colocaram no julgamento que não querem definir parâmetros técnicos para delação premiada como colocados no voto escrito de Toffoli.

Toffoli também afirmou que o fato de Youssef ter rompido o cumprimento de acordo de delação anterior não representa impedimento para a celebração de nova colaboração.

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O ministro disse que a personalidade do delator não é relevante para o acordo e “pouca importa”. Gilmar Mendes reforçou o discurso do colega, afirmando que não são “tipos angelicais” os que fecham acordos de delação.