A quatro meses das eleições de 2026, o cenário nacional em São Paulo continua sendo marcado pela polarização política que domina o país há quase uma década.
Pesquisa realizada pelo Instituto Badra em 62 municípios paulistas aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança da corrida presidencial, enquanto a disputa pelo Senado Federal permanece aberta e sem um favorito isolado.
Ao mesmo tempo, os elevados índices de indecisão observados nas respostas espontâneas mostram que uma parcela significativa do eleitorado ainda não consolidou suas escolhas.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 28 e 31 de maio e possui margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro
No cenário estimulado para presidente da República, quando os entrevistados recebem uma lista com possíveis candidatos, Lula aparece com 44,2% das intenções de voto. Em segundo lugar surge o senador Flávio Bolsonaro, com 34,3%. A diferença entre os dois é de 9,9 pontos percentuais.

Os demais nomes testados pelo instituto aparecem bastante distantes dos líderes. O cenário reforça a permanência da polarização entre os grupos políticos ligados ao presidente Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado na pesquisa por seu filho mais velho.
Quando a pergunta é feita sem a apresentação de candidatos, os índices de indefinição crescem significativamente.
Lula lidera com 18,3% das citações espontâneas, seguido por Flávio Bolsonaro, com 7,7%. No entanto, 32% dos entrevistados afirmaram não saber responder, enquanto 34,7% declararam que não votariam em nenhum dos nomes lembrados naquele momento.
Somados, esses grupos representam quase sete em cada dez entrevistados, evidenciando que o processo de formação da opinião eleitoral para a sucessão presidencial ainda está em construção.
Polarização também aparece na rejeição
Os dois principais nomes da disputa presidencial também lideram os índices de rejeição.
Segundo a pesquisa, 33,6% dos entrevistados afirmaram que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro. Lula aparece logo atrás, com 31,8%.
O resultado mostra que ambos possuem eleitorados consolidados, mas também enfrentam forte resistência entre parcelas expressivas da população, característica que tem marcado as eleições nacionais nos últimos anos.
Senado tem disputa aberta e equilíbrio entre os líderes
A corrida para o Senado Federal aparece como uma das mais imprevisíveis do levantamento.

No cenário estimulado para o primeiro voto, o ex-ministro Márcio França lidera com 18,6%, seguido de perto pelo secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite, que registra 17,5%. Na sequência aparece a ministra Simone Tebet, com 15,5%, e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, com 13,5%.
Considerando a margem de erro da pesquisa, os principais concorrentes aparecem em situação de empate técnico, indicando que a disputa ainda está totalmente aberta.
Na espontânea, o cenário é ainda mais indefinido. Nenhum nome ultrapassa 2% das citações, enquanto 47,7% dos entrevistados afirmam não votar em ninguém e 39% dizem não saber responder.
Câmara Federal ainda não tem favorito absoluto
A pesquisa também avaliou possíveis candidatos à Câmara dos Deputados.
O deputado federal Celso Russomanno lidera o cenário estimulado com 22,5% das intenções de voto. Em seguida aparecem Ana Carolina Oliveira, com 12,7%, Baleia Rossi, com 8,9%, e Delegado Bruno Lima, com 8,7%.
Também figuram entre os mais citados Lucas Pavanato, com 6,7%, e Tabata Amaral, com 6,2%.
Apesar da liderança de Russomanno, os números indicam uma disputa bastante pulverizada, sem um grupo dominante ou uma concentração expressiva de votos em poucos candidatos.
Cenário ainda deve passar por mudanças
Embora Lula apareça em vantagem na corrida presidencial e alguns nomes despontem para o Senado e a Câmara Federal, a pesquisa sugere que boa parte do eleitorado paulista ainda não definiu suas preferências para 2026.
Os altos índices de indecisão observados nas pesquisas espontâneas indicam que o cenário permanece aberto e sujeito a mudanças ao longo dos próximos meses.
Por enquanto, os números apontam para a manutenção da polarização entre Lula e o campo político ligado ao bolsonarismo, enquanto as disputas para o Senado e para a Câmara dos Deputados seguem em processo de consolidação perante o eleitorado paulista.
