Lula diz que discursos no TSE sobre democracia ‘constrangeu’ Bolsonaro

Petista concedeu entrevista à rádio Rádio Super 91.7 FM, de Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira

Lula afirmou que a cerimônia foi um

Lula afirmou que a cerimônia foi um | Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a cerimônia de posse do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na terça-feira (16) foi um recado pela democracia e que o “constrangimento” do presidente Jair Bolsonaro (PL) era “visível”.

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“Cada discurso que falava um pouco de democracia era visível a cara de constrangimento dele [Bolsonaro]. Compreendo esse comportamento dele porque ele passou o tempo inteiro desaforando a Justiça Eleitoral, desacreditando as urnas eletrônicas, tentando desmoralizar as instituições. E ontem foi um ato de fortalecimento do estado democrático de direito no Brasil”, disse Lula.

O petista concedeu entrevista à rádio Rádio Super 91.7 FM, de Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira (17). Lula realizará o primeiro comício de sua campanha, na cidade mineira, nesta quinta (18).

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Na cerimônia na terça (16), enquanto Alexandre de Moraes era ovacionado durante fala em defesa do sistema eleitoral, Bolsonaro apenas acompanhava a cerimônia e não aplaudiu o ministro

Como a Folha de S.Paulo mostrou, o ministro fez um discurso com diversos recados ao chefe do Executivo. Exaltou o fato de o TSE ser capaz de divulgar o resultado das eleições no mesmo dia em que os eleitores vão aos colégios eleitorais devido às urnas eletrônicas e elogiou seu antecessor, Edson Fachin, que protagonizou diversos embates com Bolsonaro.

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Na entrevista, Lula afirmou ainda que a cerimônia foi um “ato da civilidade” que deu um recado ao Brasil de que as pessoas querem um processo eleitoral limpo.

“Que a gente possa fazer debate democrático na televisão e na rádio e que os resultados das eleições sejam respeitados por todos”, afirmou.

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Lula disse também que Bolsonaro não conversou em nenhum momento com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que estava sentado ao seu lado – e que isso, na avaliação do petista, é um sinal de que ele estava incomodado.

O petista afirmou que ele, por sua vez, conversou com os ex-presidentes José Sarney (MDB) e Michel Temer (MDB).

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“Em nenhum momento ele trocou uma palavra com ele. É uma coisa estanha, porque você estando numa solenidade, sentado na mesa, você conversa com as pessoas ao lado. Eu conversei com o Sarney, com o Temer, afinal a gente estava sentado juntos. Ele não conversou numa demonstração que estava muito inquieto, muito incomodado.”

O ex-presidente afirmou ainda que a cerimônia “cheirava a democracia, a liberdade, ao respeito às urnas e a luta contra a fake news”. “Ele estava incomodado porque foi um ato contra quase tudo que é o comportamento dele.”

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Lula disse ainda que Alexandre de Moraes saiu “efetivamente muito, muito fortalecido” do ato, assim como a Justiça Eleitoral e as urnas eletrônicas, que “saíram com muito mais respeitabilidade”.

Na entrevista desta quarta (17), ao ser questionado sobre como tentará atrair o voto evangélico, Lula afirmou que ele não é candidato de uma “facção religiosa”, mas, sim, do povo brasileiro. Ele também disse que não quer fazer uma “guerra santa” no Brasil nem “estabelecer rivalidade entre as religiões”.

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“Quero tratar todas as religiões, inclusive a de matriz africana, com o respeito que todas devem ser tratadas.”

“Quero conversar com o cidadão e com a cidadã independentemente de religião. Não quero ser unanimidade, nem Jesus Cristo conseguiu isso. Quero obter a maioria do voto do povo brasileiro para fazer uma governança tranquila neste país”, disse.

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O petista afirmou também que ele não faz campanha religiosa e que não usa o nome de Deus em vão, “como algumas pessoas usam”.

No dia anterior, Lula fez seu primeiro ato oficial de campanha em frente à fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP). Nele, o petista afagou evangélicos e afirmou que o presidente Bolsonaro está tentando manipulá-los.

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Ainda na entrevista desta quarta, o ex-presidente voltou a falar que irá reestabelecer o valor do Bolsa Família em R$ 600, que irá reajustar a tabela do imposto de renda e que é preciso “começar a cobrar imposto de renda de lucro e dividendos, que não se paga neste país”.

“Será inexorável a necessidade de fazer um debate sobre uma nova política tributária para o Brasil”.

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Ao final da entrevista, ao ser questionado sobre a avaliação que ele tem sobre a Lei da Ficha Limpa, o ex-presidente afirmou que foi uma “bobagem” fazer a lei “tal qual ela foi feita”.

“Você muitas vezes pune uma pessoa e três meses depois ela adquire o direito de ser candidato outra vez. É preciso a gente dar uma rediscutida na Lei da Ficha Limpa.”