Lewandowski vê golpe institucional contra Dilma

O presidente do Supremo Tribunal Federal disse que o País precisa resistir mais três anos para que não caia no que chamou de "golpe institucional"

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, fez ontem críticas indiretas aos movimentos que defendem ações favoráveis ao afastamento da presidente Dilma Rousseff do poder. Sem citar o nome da petista, Lewandowski disse que o País precisa resistir mais três anos para que não caia no que chamou de “golpe institucional”.

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Dilma é, segundo pesquisas recentes, a presidente da República com o menor índice de popularidade das últimas três décadas e também alvo de uma série de pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

“Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional. Esses três anos (se houvesse um golpe) poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de 30 anos atrás”, afirmou o presidente do STF durante uma palestra concedida a estudantes de Direito em uma faculdade localizada na zona oeste da cidade de São Paulo. “Devemos ir devagar com o andor.”

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O ministro foi nomeado para o STF em 2006, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Supremo, Lewandowski foi o revisor do processo do mensalão e, em 2012, se notabilizou em debates com o ex-presidente da Corte Joaquim Barbosa, quando o caso foi julgado.

Ontem, em seu discurso de pouco mais de uma hora, Lewandowski enalteceu a postura das instituições diante das ações contra Dilma, que funcionariam, segundo ele, como uma espécie de “cortina de fumaça”.

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Estou convencido de que as instituições estão reagindo bem. Não estão se deixando contaminar por essa cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”, afirmou o ministro. “O Supremo Tribunal Federal está atento também, não está se deixando envolver emocionalmente por esses percalços que estamos vivendo. E, insisto, esses percalços são passageiros.”

Pouco antes, Lewandowski minimizou a crise político-econômica que assola o País. Para ele, há uma “crise artificial” alimentada pelos meios de comunicação brasileiros e internacionais. “O País está funcionando. Há uma crise, a meu ver artificial. É claro que há uma crise. Mas é uma crise de confiança. Também, de certa maneira, insuflada diariamente pela mídia. Há um desânimo por parte dos investidores nacionais”, disse o presidente do STF.

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Congresso

Quando se referiu à atuação do Congresso Nacional, por outro lado, Lewandowski fez ataques diretos. Segundo o presidente do STF, o Legislativo está deixando de cumprir suas funções para se dedicar a “investigações amadoras”. O ministro fazia referência às atribuições das comissões parlamentares de inquérito que são instaladas na Câmara e no Senado com o objetivo de apurar eventuais esquemas de corrupção. Para o presidente do Supremo, “investigar é para profissional”.

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As críticas de Lewandowski ao Congresso foram feitas enquanto ele elogiava a decisão tomada anteontem pela Corte de suspender as doações ocultas de campanha. “Essa ideia de separação tão absoluta de Poderes, hoje, não sei se ainda vigora. Sobretudo no momento que o STF tem um protagonismo um tanto quanto maior resolvendo questões tais como essa de anteontem. É matéria própria do Congresso Nacional, mas que o Congresso Nacional hoje não tem como resolver”, disse Lewandowski.

“O Congresso deixou de lado a sua função legislativa e passou a exercer uma função investigativa. Inúmeras CPIs correndo, substituindo o Ministério Público, a Polícia Federal e o próprio Judiciário, fazendo aquilo que eles não sabem fazer e deixando de fazer aquilo que eles sabem fazer de melhor, que é legislar. Investigar é para profissional, não é para amador.”

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Doações eleitorais

Ministros do STF decidiram anteontem suspender as doações ocultas. Eles determinaram que os repasses eleitorais de pessoas físicas a partidos e transferidos para candidatos precisam ser identificados. Com a decisão de caráter liminar, a Corte suspendeu o trecho da lei de minirreforma eleitoral, aprovada pelo Congresso, que permitia doações sem a demonstração da origem dos recursos. A lei da minirreforma eleitoral foi sancionada em 29 de setembro por Dilma.

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A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que argumentou que o trecho da nova lei da minirreforma eleitoral violava “o princípio da transparência e o princípio da moralidade, e favorece, ademais, a corrupção, dificultando o rastreamento das doações eleitorais”. A decisão do STF ainda é provisória, já que os ministros ainda não discutiram o mérito.

Para Lewandowski, a determinação de anteontem vai tornar a expressão do voto popular “livre de interferências espúrias”.”Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional. Esses três anos (se houvesse um ‘golpe’) poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de 30 anos atrás”.