Respeito. A palavra define o sentimento das pré-candidatas à Câmara Municipal de São Vicente do Partido da Mobilização Nacional (PMN). Em tempos onde a hostilidade e a descrença na política estão em alta, o grupo prova que é possível conviver em harmonia em meio à diversidade. A sigla deve contar com 23 postulantes ao cargo de vereador nas eleições de outubro. Deste total, 10 são mulheres. O número chama a atenção, uma vez que ultrapassa os 30% da cota estabelecida pela legislação eleitoral.
“Sempre falei que tinha vontade lançar mais mulheres candidatas do que homens, mas não é fácil, porque elas acabam desistindo”, disse Andreia Lamaison, presidente do PMN São Vicente. Ela, até pouco tempo, era a única mulher a presidir um partido político na cidade.
A chapa de pré-candidatas do PMN de São Vicente reúne mulheres de diferentes religiões, crenças, raças e orientação sexual. Tem cantora gospel, motorista de carreta, comerciante, servidora pública, advogada, transexual e até presidentes de torcidas de times de futebol. A palavra que impera entre elas é o respeito.
“A política começa com o respeito a crença, a raça e ao próximo sem preconceitos”, disse Talita Ferreira. Ela é cantora gospel e decidiu entrar na política para defender a saúde das mulheres. “Quero focar para que seja criado um lugar específico para a saúde da mulher”, afirmou.
Mara Cristina é motorista de carreta e ex-jogadora de futebol. Ressaltou o respeito que prevalece no grupo. “Infelizmente a mulher sofre muito preconceito. Dirijo carreta e lembro que dois homens me mandaram pilotar um fogão”, contou.
A promotora de eventos Silvana Costa disse que procurou o PMN, pois se sentiu acolhida. “Sempre apoiei vereadores homens, muitos preconceituosos, que me ignoravam por conta da orientação sexual e só me viam como alguém que pode render votos. Procurei o PMN e me senti bem”, afirmou.
Para a advogada Luciana Martins o diferencial da mulher na política é a sensibilidade. Ela preside uma torcida do Santos Futebol Clube, a Terceira Via Santista. “A gente tem que pensar que somos um conjunto. O diferencial da mulher é a sensibilidade, principalmente a sensibilidade em aglutinar. Decidi me filiar ao PMN justamente pela presidente ser uma mulher”, destacou.
Inalda Duarte é comerciante. Assim como Luciana já presidiu uma torcida de time de futebol, a Fiel Mosqueiteiro, ligada ao Corinthians. Também será candidata pela primeira vez. “Me chama muito a atenção a violência doméstica. Penso que mais mulheres na política e eleitas podem edificar a Câmara. Sou evangélica e não vejo problema algum em conviver com pessoas diferentes de mim. Somos iguais e o respeito prevalece”, afirmou.
Cleide Ferreira, que é servidora pública da área da saúde, decidiu entrar na política por conta das situações que vivencia todos os dias em sua profissão. “A mulher realmente é mais sensível. Vejo muitas coisas todos os dias, principalmente o descaso, e tenho um olhar voltado para o social. A nossa cidade está em uma situação muito difícil, ao ponto de um morador de rua, que já perdeu toda a sua dignidade, estar jogado junto com o lixo”, destacou.
