Giannazi quer pressão contra CPI ‘chapa branca’

Deputado estadual pelo PSOL teme que governo abafe investigações sobre escândalo da merenda

A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da merenda foi aprovada no último dia 25 pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Deputados estaduais investigarão tanto o Estado quanto as 22 prefeituras envolvidas nas denúncias, que vieram a público após a delfagração da Operação Alba Branca.

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No entanto, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) alerta para que a a CPI não seja ‘chapa branca’ e defenda ao governo.

“Nós tínhamos proposto uma CPI rigorosa. Mas o governo vinha obstruindo não só a instalação da CPI, mas também as convocações dos envolvidos. Todas as convocações foram obstruídas pelos deputados do governo.

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Mas como houve muita pressão e houve a ocupação da Assembleia Legislativa pelos alunos das escolas públicas, e teve uma repercussão muito ruim para o governo, aí o governo voltou atrás e autorizou que a bancada do PSDB, junto com as bancadas governistas, apresentasse a CPI. Foi o DEM que apresentou, mas com apoio de toda base governista”, disse o parlamentar.

“Nós assinamos, mas sem dúvida vai ser uma CPI chapa branca porque, como o governo tem maioria nesta CPI, ele vai escolher o relator e o presidente, ter maioria para tomar decisões”, completou.

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Giannazi espera que a fiscalização em torno dos trabalhos da comissão seja grande “para que não acabe em pizza”.

O deputado garantiu que a oposição irá enviar requerimentos para convocar todos envolvidos, seja na esfera das prefeituras ou do governo ­estadual.

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“Vamos apresentar requerimentos convocando todos os envolvidos. Queremos convocar os envolvidos ligados ao governo, os ex-secretário e ex-chefe de Gabinete de Educação, ex-secretário e ex-chefe de gabinete da Casa Civil, todos eles. Os prefeitos envolvidos de todos os partidos. Todos tem que depor. A tendência não será essa.

A tendência será uma CPI governista que tentará proteger os membros do governo”, alertou Carlos Giannazi.

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Porém, ele atenta que o trabalho do grupo será difícil. Por isso, Giannazi espera que haja pressão popular para que a cobrança em torno da comissão seja permanente.

“Vamos ter que trabalhar em dobro porque seremos minoria. Vamos ter, no máximo dois ou três membros numa CPI que terá de nove a onze deputados. Nossa situação é difícil, mas contamos com o apoio dos estudantes que estarão lá fiscalizando, e também com a população e opinião pública cobrando uma posição enérgica dessa CPI para que os ladrões da merenda escolar sejam punidos”, finalizou o deputado.

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‘Não existe uma CPI investigando o governo’, critica deputado

Carlos Giannazi criticou a posição da bancada governista na Assembleia Legislativa. Membro da comissão de Educação e Cultura da casa, o deputado afirmou que a base do governo Geraldo Alckmin obstruiu diversos requerimentos convocando envolvidos no escândalo da merenda.

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“É obstrução. O governo obstruiu. Eu apresentei alguns requerimentos, a oposição tinha mais de 20 requerimentos convocando pessoas ligadas ao governo. O ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Luiz Roberto ‘Moita’, o ex-chefe de gabinete da secretaria de Educação, Fernando Padula. Vários requerimentos foram obstruídos sistematicamente pelos deputados do governo porque o governo não quer ser investigado”.

O parlamentar ressaltou que, até a abertura da CPI da merenda, não havia nenhuma comissão parlamentar que investigasse o governo Geraldo Alckmin.

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“Não existe uma CPI investigando o governo porque todas elas são obstruídas. Em São Paulo tem ladrão de trem, de merenda escolar, de transporte escolar, de ICMS. Apresentamos todas as CPIs e todas foram obstruídas. Mesmo requerimentos convocando pessoas envolvidas nessas máfias também são requerimentos obstruídos pela situação, pelos deputados da base do governo”.

A CPI da merenda visa apurar e investigar contratos firmados por Cooperativas e Agricultura Familiar com o governo do Estado de São Paulo e municípios paulistas.