Fora da agenda, advogado de Flávio se encontra com Bolsonaro no Alvorada

O advogado chegou ao Alvorada por volta das 11h e deixou o local às 14h20.

Frederick Wassef, advogado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) neste sábado (21) no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro não consta na agenda oficial do presidente da República.

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O advogado chegou ao Alvorada por volta das 11h e deixou o local às 14h20. Bolsonaro se recupera da cirurgia realizada no último dia 8 para correção de um hérnia, a quarta realizada em decorrência da tentativa de assassinato que sofreu em setembro do ano passado.

Wassef representa o primogênito do presidente na investigação feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra o senador.

Procurado neste sábado, o advogado, que também é amigo do presidente, primeiro perguntou se a reportagem tinha certeza de que se tratava dele mesmo. Depois, questionou o período exato em que ele teria estado no palácio. Após ouvir a resposta, disse que não tinha nada a declarar e que estava apressado pois iria pegar voo para São Paulo.

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Já a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto afirmou que o compromisso não estava na agenda oficial do presidente e que, por isso, não tinha informação.

Em julho, a pedido da defesa do senador, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, suspendeu investigações criminais envolvendo relatórios de órgãos de controle (Coaf, Banco Central e Receita Federal) que especifiquem dados bancários detalhados sem que tenha havido autorização da Justiça para tal.

Na prática, a decisão paralisa a apuração do Ministério Público do Rio sobre o filho do presidente. Também atinge outros inquéritos e procedimentos de investigação criminal (tipo de apuração preliminar), de todas as instâncias da Justiça, baseados em informações desses órgãos de controle. O julgamento da questão no plenário da corte está marcado para 21 de novembro, mas Toffoli pode antecipá-lo. 

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Flávio é investigado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os crimes supostamente praticados estão ligados ao gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O filho do presidente foi deputado estadual de 2003 a 2018 e, segundo o Ministério Público, há indícios robustos desses crimes de 2007 a 2018, período em que Fabrício Queiroz, pivô da investigação, trabalhou com o então deputado estadual como uma espécie de chefe de gabinete.

Relatório do Coaf apontou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária do ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo, em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia.

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Queiroz já admitiu que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem o conhecimento do então deputado. A Promotoria suspeita de um esquema conhecido como “rachadinha”, em que servidores são coagidos a devolver parte do salário para os deputados. 

Como mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a quebra de sigilo bancário e fiscal autorizada pela Justiça na investigação do Ministério Público do Rio sobre Flávio atingiu pessoas que nem sequer foram nomeadas pelo senador e não tiveram nenhuma transação financeira com Queiroz.

A peça do Ministério Público também atribui equivocadamente ao gabinete de Flávio uma servidora da Assembleia que acumulou outro emprego e apresenta falhas ao relatar suspeitas contra Queiroz. 

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Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em julho, Wassef afirmou que barbaridades foram cometidas na investigação contra Flavio. “O que não podemos é o poder ilimitado e sem controle de alguns membros do Ministério Público adentrar na vida financeira de qualquer indivíduo”, afirmou o advogado.