Entidades pressionam TSE por fechamento de clubes de tiro nas eleições

Grupos alegam que o risco elevado de violência política durante a eleição torna necessária o fechamento dos clubes de tiro

Urna eletrônica

Urna eletrônica | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Representantes da sociedade civil, juristas, delegados e sindicalistas pressionam o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a determinar o fechamento de clubes de tiro durante o primeiro turno das eleições, marcado para o próximo domingo (2). As sugestões têm sido levadas diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, presidente da Corte, que sinaliza a intenção de discutir a proposta no tribunal. 

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Os presidentes das centrais sindicais discutirão a proposta com Moraes em reunião marcada para esta tarde no TSE. A entidade alega que o risco elevado de violência política durante a eleição torna necessária o fechamento dos clubes de tiro, mesma justificativa que levou o TSE a vetar o proibir o porte de armas por cidadãos no primeiro turno. 

“A tensão sobre o processo eleitoral está expressa na violência perpetrada contra eleitores, algumas vezes ocorrendo assassinatos, agressão a jornalistas, aos trabalhadores dos institutos de pesquisa, aos militantes e ativistas dos candidatos da oposição”, afirmou a entidade, em nota. 

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Proposta semelhante foi levada ontem em reunião entre Moraes e integrantes da Comissão de Transparência Eleitoral, segundo integrantes consultados pelo UOL. 

A Coalizão em Defesa do Sistema Eleitoral, que reúne mais de 200 entidades da sociedade civil, sugeriu ao ministro o fechamento dos clubes não somente no dia do primeiro turno, como também nos dois dias anteriores e as 24 horas seguintes à eleição. 

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Na semana passada, Moraes ouviu de delegados do Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil que a medida poderia contribuir para garantir mais segurança no primeiro turno, reduzindo riscos de atos de violência durante as eleições. 

A todos os interlocutores, Moraes tem dado uma sinalização positiva e afirmado que a proposta está sendo analisada no TSE. O ministro, no entanto, não se comprometeu com um prazo para eventual decisão sobre o assunto. 

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Até o primeiro turno, a Corte Eleitoral tem só mais duas sessões plenárias nesta terça (27) e na quinta (29), ocasião em que uma sugestão do tipo poderia ser discutida e votada pelos demais ministros. 

O atirador José de Anchieta Jerônimo, presidente da FBTE (Federação Brasiliense de Tiro Esportivo), afirmou ao UOL que, pessoalmente, não vê necessidade na medida, mas que a federação cumpriria eventual decisão da Corte. 

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“Nós estamos em uma área que não afeta de maneira alguma as eleições, não tem nada a ver com violência. Mas se o tribunal decidir que os estandes de tiro sejam fechados, não teremos problemas com isso”, disse. 

Camisa da seleção

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Além dos pedidos sobre clubes de tiro, Moraes recebeu ontem uma sugestão de barrar o uso de camisetas da seleção brasileira por mesários que atuarão no primeiro turno das eleições. O pedido foi feito pela Coalizão em Defesa do Sistema Eleitoral sob justificativa que a camisa é um “símbolo” da candidatura de Bolsonaro e poderia confundir eleitores. 

Hoje, o TSE já orienta os mesários a usarem roupas de tons “neutros”, que não remetam a nenhuma candidatura específica, de forma a evitar eventuais contratempos durante a votação. Agora, as entidades pedem que a camiseta seja vetada. 

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Em relação a este caso, Moraes sinalizou que deve discutir o tema no TSE, mas também não deu retorno sobre eventual prazo para uma decisão sobre o assunto. 

O ministro, porém, avisou a entidade que será considerado crime de falsidade mentir que apertou o número de um candidato na urna e alegar publicamente que apareceu outro na tela. O eleitor que fizer isso poderá ser levado à delegacia para esclarecer os fatos e, se ficar comprovada a fraude, responderá criminalmente pelo ato. 

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Violência política

A discussão sobre o fechamento de clubes de tiros ocorre em meio à preocupação do TSE com o aumento de episódios de violência política nas vésperas das eleições. 

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No sábado (24), um caseiro de sítio foi morto em um bar em Cascavel (CE) após dizer que votaria no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O crime teria ocorrido após uma “discussão política”, segundo a Polícia Civil. 

No mesmo dia, um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) foi morto em um bar em Rio do Sul (SC) enquanto usava uma camiseta com menção ao mandatário. A Polícia Civil investiga se o crime teve motivação política ou se tratou de uma briga familiar. 

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A preocupação com novos episódios levou o TSE a proibir no mês passado o porte de armas por cidadãos a até 100 metros de distância dos locais de votação. A restrição se estende não somente ao dia da eleição como também às 48 horas que antecedem o pleito e as 24 horas seguintes. 

A exceção vale somente para as forças de segurança em serviço, desde que autorizadas pela autoridade eleitoral competente. 

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Ao aprovar a restrição, o ministro Ricardo Lewandowski, vice-presidente do TSE, afirmou que a medida era necessária em razão do aumento do número de casos de violência política contra candidatos e a maior circulação de armas por meio da “cada vez mais conhecida e mal falada” sigla CACs, referente à categoria de caçadores, atiradores e colecionadores. “Nunca é demais lembrar que as eleições constituem uma solenidade cívica presidida por autoridades civis em que o povo soberano é instado a se manifestar de forma pacífica as suas preferências políticas. Armas e votos são elementos que não se misturam”, afirmou.