O cenário político para as eleições municipais começa a se desenhar em Santos. A cidade pode ter até 10 candidatos a cadeira de chefe do Executivo no Palácio José Bonifácio.
O prefeito Paulo Alexandre Barbosa busca a reeleição pelo PSDB. No entanto, com uma base extensa, o partido ainda não definiu se manterá o PTB com o cargo de vice ou se outro partido entrará na disputa.
Dois adversários de Barbosa devem vir da Câmara Municipal. Opositor ao governo no Legislativo, Evaldo Stanislau já lançou a pré-candidatura pela Rede Sustentabilidade. Outro parlamentar que anunciou que concorrerá ao Executivo santista foi Marcelo del Bosco, do PPS. Ele deve contar com o apoio do DEM.
“Será uma frente de oposição contra a Administração. Estamos conversando diariamente com o PPS, do vereador Marcelo Del Bosco, para apresentar uma nova proposta para Santos, que não pode ter uma eleição vencida por W.O. A história da Cidade é maior que qualquer partido”, disse o também vereador e presidente do DEM, Douglas Gonçalves.
O PSOL também volta a disputa. Após Eneida Koury entrar no pleito de 2012, o partido lançou, no dia 8 de março, Débora Camilo como pré-candidata.
Ainda sem partido desde que deixou o DEM, Taylor Matos também se mantém como pré-candidato em Santos. Em contato com a Reportagem, o político ressaltou o desejo de entrar nas eleições e disse estar perto de anunciar seu destino político.
Já candidato em 2012, Nelson Rodrigues confirmou ao Diário do Litoral que deve voltar ao pleito em 2016, pelo PSL. Outro que também volta a disputa é o servidor público aposentado Luiz Xavier, confirmado pelo diretório municipal do PSTU.
Três partidos formam rede progressista
Membros da esquerda, PT, PDT e PCdoB conversam para formar uma rede progressista. Desse trabalho poderia sair um único candidato.
“Conversamos com PDT e PCdoB desde o ano passado. Falamos também com lideranças que não estão em partido nenhum, mas entendem que devemos ter um programa para discutir a cidade como um todo”, avaliou Bartolomeu Pereira de Souza, presidente municipal do PT.
O PDT tem a intenção de lançar Paulo Schiff como candidato. O articulista do Diário do Litoral foi anunciado como a alternativa do partido pelo presidente da legenda, Carlos Lupi, em agosto de 2015.
Já no PCdoB existe uma corrente para lançar a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral. Por meio do diretório municipal, o partido explicou que, no entanto, “trata-se de um quadro nacional com tarefas muito importantes, especialmente nos tempos que correm. Estamos estudando esta possibilidade, mas ainda não podemos confirmar nada”.
Já o principal símbolo do PT santista é Telma de Souza. No entanto, a ex-deputada estadual pode ser candidata a vereadora para que o partido tente recuperar cadeiras no Legislativo – com as saídas de Adilson Júnior e Evaldo Stanislau, a legenda ficou sem representantes na Casa pela 1ª vez em 33 anos.
O presidente do PT destacou que a legenda possui outros nomes fortes como Fausto Figueira e Arthur Chioro.
Cientista política vê prefeito em posição tranquila
Apesar dos diversos nomes especulados para a eleição em Santos, a professora e cientista política Olívia Perez crê que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa se encontra em uma posição tranquila em relação aos adversários.
“Se olharmos para as disputas anteriores percebemos o peso que tinham o PT e o PMDB dentro de Santos. Agora esse sentimento anti-PT tão aflorado e expresso nas manifestações deixa a posição do Paulo Alexandre mais tranquila. Ele não tem uma oposição grande do PT, nem tem mais vereador do PT. Existe uma possibilidade da Rede capitalizar essas pessoas de esquerda que também estão decepcionadas com o PT, mas ela ainda não é muito forte em Santos. Existem outros partidos de esquerda que podem capitalizar esse sentimento, como o PSOL, mas que ainda não é muito conhecido. Acho que ele ainda tem uma certa tranquilidade”.
Em relação a adversários de direita, Olívia analisou que não há propostas muito diferentes da do atual prefeito.
“O Taylor (Matos) já tem problemas por não ter um partido e possui uma oposição raivosa. Não sei muito bem se isso irá colar. O (Marcelo) Del Bosco já se mostrava uma dissidência, embora seja de um partido que apoia o governo. Mas eles não apresentam propostas muito diferentes da do Paulo Alexandre. Não sei se dá para ver como uma contraposição”.
Já sobre uma possível união dos partidos de esquerda, a cientista política enxerga um cenário partido entre as legendas.
“A esquerda fala que é um momento de união. Mas tem muita dissidência entre os partidos de esquerda e não tem muita união. O PT, por exemplo, é considerado por vários partidos de esquerda como uma legenda de centro, e alguns chegam a dizer de centro-direita. Mesmo que haja essa união, não é uma união por completo. O PSOL, por exemplo, não deve se juntar. A Rede também não sabemos se é mais centro ou esquerda. É um partido a se construir!.
