Bolsonaro nega que defesa de liberdade de ‘escolha afetiva’ seja aceno a gays

O candidato, que há anos enfatiza seu combate ao que chama de 'kit gay' nas escolas, não vê as passagens como uma abertura a grupos com os quais têm travado uma relação tensa

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) nega que os trechos de seu programa de governo que defendem a liberdade para “escolhas afetivas” sejam uma tentativa de cativar eleitores da comunidade LGBT. 

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O candidato, que há anos enfatiza seu combate ao que chama de “kit gay” nas escolas, não vê as passagens como uma abertura a grupos com os quais têm travado uma relação tensa.

“Não [é aceno à comunidade LGBT]. Você vai no parágrafo 2º do artigo 226 da Constituição: para efeito de proteção do estado é considerada família a união entre um homem e uma mulher. Se alguém quiser achar que dois homens ou duas mulheres são uma família, que proponha a mudança da Constituição”, disse. O trecho ao qual se refere o parlamentar, na verdade, está no parágrafo 3º do artigo citado.

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O programa de governo, lançado nesta terça-feira (14), defende a liberdade para as pessoas se relacionarem com quem quiserem e formarem famílias com quaisquer configurações, sem interferências externas. 

“Liberdade para as pessoas, individualmente, poderem fazer suas escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais”, diz trecho.

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“Os frutos de nossas escolhas afetivas têm nome: família! Seja ela como for, é sagrada e o Estado não deve interferir em nossas vidas”, afirma outro trecho do programa.

A aparente contradição entre candidato e programa surpreende pelas maneiras que Bolsonaro encontrou para confrontar os grupos LGBT nos últimos anos.

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Em novembro de 2017, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou a condenação de Bolsonaro por dano moral coletivo, com pagamento de multa de R$ 150 mil, por ter dito em programa de TV que nunca havia passado na cabeça ter um filho gay, porque seus filhos tiveram “boa educação”, com pai presente.

O presidenciável também já declarou que ter um casal gay como vizinho desvaloriza a sua casa. “Se eles andarem de mãos dadas, derem beijinho, vai desvalorizar.”

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Desde 2011 Bolsonaro chama de “kit gay” a distribuição de material sobre diversidade sexual nas escolas.