Alckmin aguarda impeachment para iniciar obra do túnel submerso

Governador aguarda ‘novo governo’ para pleitear mais recursos para ligação seca entre Santos e Guarujá

O desfecho da novela que conta a história da implementação de ligação seca entre Santos e Guarujá ainda está longe. Sem recurso suficiente para tocar a obra do túnel submerso, que teve a licitação suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em janeiro do ano passado, a esperança está agora no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Nesta quarta-feira (27), em entrevista coletiva, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que aguarda a política econômica do ‘novo governo’ para pleitear mais recursos. O valor do empreendimento é de R$ 3,2 bilhões. Já foram investidos R$ 40,5 milhões no projeto executivo.

Continua após a publicidade

“A ligação seca é o ideal e será feita. Nós estamos aguardando a mudança do governo para verificar qual vai ser a política econômica do novo governo, após completado o processo de afastamento do Senado. Porque nós precisamos de financiamento da obra. Vamos aguardar. Temos aí uma boa expectativa”, afirmou Alckmin. O governador esteve em Santos participando da entrega da Estação Bernardino de Campos e de dois trens do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Segundo a Desenvolvimento Rodoviário S/A, responsável pelo submerso Santos-Guarujá, o custo total do empreendimento totaliza R$3,2 bilhões, sendo R$ 880 milhões do Tesouro do Estado de São Paulo e o restante que sairá de operações de financiamento a serem contratadas pelo Estado.

Continua após a publicidade

Ainda de acordo com a Dersa, atualmente o Governo do Estado aguarda autorização da Secretaria do Tesouro Nacional para ampliar sua capacidade de endividamento, o que permitirá completar o investimento necessário para a construção do túnel. A estatal aguarda indicação de disponibilidade de recursos para fazer a nova publicação do edital de contratação das obras. O valor investido no projeto de executivo do túnel é de R$ 40,5 milhões.

No site da Dersa, a informação é que não há previsão para o início da obra e que, neste momento, a obra aguarda definição acerca da ampliação de limite fiscal do Estado para que possa ser retomada.

Continua após a publicidade

Lava Jato

O início da construção do túnel submerso Santos-Guarujá estava previsto para março de 2015, com previsão de término em 2018. Em janeiro do ano passado, o TCE determinou a suspensão da licitação da obra e correção do edital. A decisão do órgão foi baseada em suspeitas de irregularidades apontadas por empresas que se manifestaram prejudicadas no processo licitatório.

Continua após a publicidade

Os grupos pré-qualificados para o edital suspenso eram compostos por empresas brasileiras e estrangeiras: o consórcio Túnel Santos Guarujá formado pelas nacionais Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e a holandesa Strukton; o ISG composto pelas brasileiras Andrade Gutierrez e CR Almeida e a coreana Daewoo; o Nova Travessia formado pelas nacionais Constran e Piacentini Tecenge e a italiana Mantovani; e, o Sigma composto pelas italianas Salini Impregilo e Grandi Lavori e a nacional J.Malucelli.

Das 13 empresas dos consórcios pré-qualificados no pregão anulado pela TCE, quatro — OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiróz Galvão — são investigadas pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Continua após a publicidade

Maquete

A ligação seca entre Santos e Guarujá é uma antiga – e conhecida – promessa ouvida há muitas décadas. Em março de 2010, o então governador José Serra (PSDB), que também era pré-candidato à Presidência da República, inaugurou a maquete de uma ponte e anunciou a construção do acesso entre os dois municípios. O projeto não vingou.

Continua após a publicidade

“Com esta ponte nós vamos quebrar um gargalo que é muito importante aqui na região da Baixada Santista. Além disso, a ponte terá até um papel paisagístico”, disse Serra na época.  

Problemas na balsa

Continua após a publicidade

A principal ligação entre os dois municípios é por mar. Constantemente motoristas enfrentam grandes filas e demora para fazer a travessia. No início do ano, a Justiça determinou que a Dersa, órgão responsável pelo serviço, utilize nove embarcações simultâneas quando as filas passarem de 20 minutos. No entanto, os problemas continuam.

Questionado sobre a situação, Alckmin se limitou a afirmar que são feitos investimentos no setor. “Nós fizemos um grande investimento. Novas balsas, reformas de balsas, novos atracadouros e também as lanchas – as mais modernas – para fazer essa travessia. Tem até bicicletário dentro da lancha. Um investimento importante e que vai continuar.