Novo El Niño já começou em ritmo acelerado e ameaça se tornar um dos mais intensos da história moderna

Análise da MetSul indica que o aquecimento das águas do Pacífico avança em ritmo alarmante e pode rivalizar com os piores eventos climáticos da história recente

Meteorologistas acenderam um sinal de alerta para o Sul do Brasil devido ao risco iminente de ciclones, tempestades severas e tornados na primavera/reprodução ESA

Meteorologistas acenderam um sinal de alerta para o Sul do Brasil devido ao risco iminente de ciclones, tempestades severas e tornados na primavera/reprodução ESA

El Niño 2026-2027 já começou, e tudo indica que será mais intenso do que o registrado em 2023-2024. Conforme análise da MetSul Meteorologia, o aquecimento das águas da faixa equatorial do Oceano Pacífico pode inclusive se tornar um dos mais fortes da era moderna, rivalizando com episódios históricos como os de 1982-1983 e 1997-1998.

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Oceano e atmosfera já mostram sinais claros

Em nível oceânico, as águas do Pacífico Equatorial apresentam comportamento típico de El Niño há várias semanas. Nos últimos dias, porém, as anomalias de temperatura do mar, ou seja, os desvios em relação à média, aumentaram significativamente. Isso acontece à medida que águas muito quentes, vindas do Pacífico Oeste, avançam até o litoral da América do Sul e emergem na superfície.

Dados da NOAA (agência de clima norte-americana) de 5 de junho mostram uma intensificação muito rápida do fenômeno. Pelo índice tradicional ONI, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 já alcançou +1,529°C, o que caracteriza um El Niño de categoria forte.

Além disso, o chamado El Niño Costeiro, que ocorre no Pacífico Leste, junto aos litorais do Peru e do Equador, também se intensificou. Em Paita, no norte peruano, a temperatura da água alcançou 26°C, com uma impressionante anomalia de +7,9°C acima da média.

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Atmosfera acompanha o aquecimento do oceano

Não basta, porém, que o oceano aqueça. Para que um El Niño se consolide de fato, a atmosfera precisa apresentar um acoplamento com as condições oceânicas, e é exatamente o que vem ocorrendo.

O principal indicador atmosférico é o SOI (Índice de Oscilação Sul), que reflete as diferenças de pressão entre o Pacífico Ocidental (próximo à Austrália) e o Pacífico Oriental. Quando o SOI apresenta valores persistentemente negativos, isso indica enfraquecimento dos ventos alísios, condição típica de episódios de El Niño.

Nos últimos dias, o SOI chegou a registrar valores diários de até -35. Mais relevante, porém, é a média dos últimos 30 dias, que está em -18, um número absolutamente consistente com um El Niño em rápida intensificação. A média dos últimos 90 dias, por sua vez, está em -9.

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Portanto, tanto por critérios oceânicos quanto atmosféricos, os indicadores são totalmente consistentes com a instalação de um episódio de El Niño no Pacífico Equatorial.

Projeções indicam um Super El Niño pela frente

O El Niño já começa de forte intensidade. Mais do que isso, existe uma alta probabilidade de que atinja intensidade muito forte, configurando um evento de Super El Niño no decorrer do segundo semestre deste ano.

Entre março e junho, os modelos de clima apresentam menor confiabilidade, é a chamada “barreira de previsibilidade do outono”. Contudo, os dados recentes têm mostrado consistência em indicar um evento de enorme intensidade. Os primeiros modelos de junho, já no final dessa barreira, aumentaram ainda mais as projeções de intensidade na comparação com o que indicavam no começo do outono.

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A principal razão para essa aceleração é um novo episódio de ventos intensos de oeste sobre o Pacífico Equatorial. Esse fenômeno favorece o deslocamento de grandes volumes de água mais quente para leste, reforçando o aquecimento da superfície oceânica.

Se as projeções se confirmarem, o El Niño de 2026-2027 poderá ser um dos mais intensos dos tempos modernos, rivalizando, ou mesmo superando, os supereventos de 1982-1983 e 1997-1998.

E o Brasil? Impactos devem ser sentidos a partir do segundo semestre

Como nenhum episódio de El Niño é igual ao outro, cada evento tem sua própria história. Por isso, embora as consequências observadas no passado tendam a se repetir, nem sempre elas ocorrem com a mesma proporção.

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No episódio de 2026-2027, os efeitos no clima brasileiro serão sentidos principalmente a partir do segundo semestre, com maior gravidade no fim do inverno e na primavera.

Norte e Nordeste: O El Niño costuma provocar diminuição das chuvas, especialmente no Norte e no Leste da Amazônia. O resultado é um período mais seco e quente, que favorece queimadas e agrava incêndios florestais. No Nordeste, a redução acentuada das precipitações pode levar a episódios de seca, comprometendo o abastecimento de água e a agricultura.

Centro-Oeste: Historicamente, os impactos são mais moderados, com leve tendência de chuvas acima da média em algumas áreas, mas acompanhadas por temperaturas mais elevadas. Episódios de calor intenso se tornam mais frequentes, assim como o aumento das queimadas no Pantanal.

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Sudeste: O principal sinal do fenômeno é o aumento das temperaturas médias, com períodos mais quentes que o normal e extremos de calor. Não há, porém, um padrão claro e consistente de mudança no regime de chuvas.

Sul: É a região mais impactada. O El Niño costuma trazer aumento significativo das chuvas e maior frequência de eventos extremos. Temporais se tornam mais frequentes, assim como a ocorrência de ciclones, alguns deles intensos. O final do inverno e a primavera, em particular, são períodos de alto risco de tempo severo, com ondas de tempestades, granizo, vendavais e até tornados.

Vale lembrar que as duas maiores enchentes da história gaúcha, a de 1941 e a de 2024, não ocorreram no primeiro ano do El Niño, mas sim no outono do ano seguinte. Neste episódio, isso corresponderia a 2027. Portanto, a atenção deve se manter alta não apenas para os próximos meses, mas também para o ano que virá.