Uma estrutura escondida sob a areia pode se tornar a nova arma de uma das cidades mais famosas do litoral brasileiro contra o avanço do mar.
Em Balneário Camboriú, Santa Catarina, um muro invisível começou a ganhar forma debaixo da Praia Central com a promessa de proteger a faixa de areia contra a erosão e os problemas causados pelas marés.
A estrutura subterrânea faz parte do projeto de reurbanização da orla, estimado em mais de R$ 31 milhões, e será instalada ao longo dos cerca de 6 quilômetros da praia.
Segundo a prefeitura, esse muro terá mais de dois metros de profundidade, dois metros de largura e será construído com concreto armado e uma base formada por pedras do tipo rachão, que são fragmentos de granito, gnaisse ou basalto usados em grandes obras de contenção.
A estrutura ficará completamente enterrada sob a areia e não será visível para moradores e turistas.
O objetivo principal é criar uma barreira contra a erosão costeira e impedir que o avanço natural do mar comprometa a estabilidade da nova orla.
Desafios pós alargamento da faixa de areia
A necessidade da obra surgiu após a megaobra de alargamento da Praia Central realizada em 2021.
Na época, milhões de metros cúbicos de areia foram dragados do fundo do mar para ampliar a faixa de praia, que passou de cerca de 25 metros para aproximadamente 70 metros em alguns trechos.
A intervenção transformou completamente a paisagem local, mas trouxe novos desafios.
Após a ampliação, moradores começaram a notar o aparecimento frequente de poças de água e acúmulos semelhantes a piscinas naturais durante os períodos de maré alta.
Por causa do problema, surgiram questões sobre a durabilidade do novo design da praia e preocupações crescentes sobre a erosão ao longo do tempo.
De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, a solução subterrânea já fazia parte do planejamento original da revitalização.
O sistema funciona de forma semelhante a obras de macrodrenagem, envolvendo escavação profunda, rebaixamento do lençol freático e aplicação de camadas estruturais que ajudam a estabilizar a areia, reduzindo os impactos das ondas e das correntes marítimas.
Redefinição da orla e licenças ambientais
Muito além de conter o avanço do mar, o objetivo do projeto é remodelar completamente a orla de Balneário Camboriú.
A revitalização inclui um novo calçadão, ciclovia, pista, quiosques, espaços sociais, parques, academias ao ar livre, paisagismo e vegetação de restinga, considerada essencial para a proteção costeira natural ou proteção.
Segundo informações da obra, também estão previstos milhares de metros quadrados de áreas verdes e dezenas de estruturas de lazer distribuídas pela praia.
O trabalho exigiu aprovação ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) em conjunto com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
Balneário Camboriú tem apostado fortemente em grandes intervenções urbanas nos últimos anos.
Conhecida como a Dubai brasileira pelo conjunto de arranha-céus à beira-mar, a cidade recebe mais de 1 milhão de visitantes durante a alta temporada e concentra alguns dos imóveis mais caros do país.
Para especialistas em engenharia costeira, estruturas de proteção vêm se tornando cada vez mais importantes em cidades litorâneas diante do avanço da erosão, de eventos climáticos extremos e da elevação gradual do nível do mar observada em diversas regiões do planeta.
Em Balneário Camboriú, a aposta é que uma obra praticamente invisível aos olhos seja justamente a responsável por garantir a sobrevivência do novo cartão-postal pelas próximas décadas.






