Variante combina dois clados do vírus e pode exigir resposta mais rápida / Freepik/Divulgação
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A volta dos casos de Mpox no Brasil após o Carnaval acendeu um alerta entre as autoridades de saúde e especialistas. Além de São Paulo, que já soma mais de 40 registros este ano, Porto Alegre também voltou a contabilizar ocorrências da doença, levantando preocupações sobre uma possível nova onda de transmissão.
Para entender os riscos e as medidas necessárias para conter o avanço do vírus, o Diário do Litoral conversou com o médico infectologista Dr. Klinger Faíco, professor da UNIFESP. Ele explica que a principal preocupação dos especialistas neste momento é a circulação de uma nova variante recombinante do vírus.
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Segundo Faíco, a grande preocupação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos especialistas é que essa nova variante surgiu da combinação genética entre dois grupos do vírus: o Clado Ib, mais grave, e o IIb, que causou o surto global de 2022.
O risco principal, de acordo com o infectologista, é a subnotificação. "Os testes de PCR comuns, que apenas diferenciam os clados, podem não identificar essa recombinação. Isso exige que os laboratórios façam o sequenciamento genético completo, o que é mais caro e demorado", alerta.
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Além disso, existe o receio de que essa variante tenha uma capacidade de transmissão maior do que as cepas anteriores, o que exigiria uma resposta mais rápida e eficaz dos sistemas de saúde.
Além de São Paulo, que já contabiliza mais de 40 casos este ano, a capital que acendeu o alerta recentemente foi Porto Alegre. O registro ocorreu logo após o Carnaval, e o que chama a atenção dos especialistas é que o paciente contraiu a doença fora do Rio Grande do Sul.
"Isso confirma que o vírus está em circulação interestadual e que o deslocamento de pessoas durante as festas facilitou a transmissão", explica Faíco, destacando que o período de festas populares pode ter contribuído para a disseminação do vírus entre diferentes regiões do país.
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Uma das principais dificuldades no combate à Mpox é a semelhança dos sintomas iniciais com outras doenças comuns. O infectologista faz um alerta importante sobre essa distinção.
"Essa é uma distinção fundamental porque, nos primeiros dias, a Mpox se mascara muito bem como uma gripe ou uma dengue forte, apresentando sintomas como febre, calafrios e dor de cabeça", explica.
No entanto, há um diferencial crucial: o surgimento de linfonodos inchados, as famosas ínguas, que aparecem no pescoço, axilas ou virilha e não são comuns em outras viroses. Logo em seguida, surgem as lesões de pele que evoluem de manchas para bolhas dolorosas e com pus.
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"Identificar esses sintomas nos permite isolar o paciente precocemente, evitando que ele transmita o vírus para parceiros ou familiares antes mesmo de o resultado do exame laboratorial confirmar o diagnóstico", ressalta Faíco.
Para conter o avanço da nova variante, o especialista defende que as medidas devem focar no bloqueio da transmissão por contato direto, que é a principal via de contágio da Mpox.
Entre as recomendações estão o isolamento imediato de qualquer pessoa com lesões suspeitas até que as feridas cicatrizem e as crostas caiam totalmente, revelando uma pele nova. Além disso, é importante manter o controle da vacinação estratégica dos grupos de maior vulnerabilidade e daqueles que tiveram contato próximo com casos confirmados.
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No dia a dia, medidas simples fazem diferença, como evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal, incluindo toalhas e roupas de cama, e manter a etiqueta respiratória, já que o contato prolongado e íntimo facilita a propagação do vírus.
"A vigilância laboratorial constante também é uma aliada fundamental para monitorar se essa variante recombinante exige mudanças mais drásticas nos protocolos de tratamento atuais", conclui o infectologista.