A tradicional carteira de identidade usada pelos brasileiros há décadas já tem data marcada para se despedir oficialmente.
A substituição do antigo Registro Geral (RG) pela nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) será obrigatória em todo o país a partir de 1º de março de 2032. Até lá, o documento antigo continua válido normalmente para a população em geral.
A mudança faz parte de um processo nacional de unificação de dados que pretende acabar com um problema histórico, que é a possibilidade de uma mesma pessoa possuir diferentes números de RG em estados distintos.
Com a nova identidade, o CPF passa a ser o único número de identificação do cidadão em todo o território nacional.
Embora o prazo final ainda esteja distante, especialistas recomendam que a troca seja feita o quanto antes, especialmente para quem possui documentos antigos, desgastados ou emitidos há mais de dez anos.
Em alguns casos, bancos, aeroportos e instituições já vêm apresentando restrições para documentos com fotos muito antigas ou em mau estado de conservação.
O que muda com a nova identidade?
A Carteira de Identidade Nacional traz uma série de recursos tecnológicos e de segurança.
O documento conta com QR Code para validação rápida, além do código internacional MRZ (Machine Readable Zone), que é o mesmo utilizado em passaportes, facilitando a identificação e o uso em viagens para países do Mercosul.
Outra novidade é a integração de diversos documentos em um único cadastro.
Além do CPF, a CIN permite incluir, de forma opcional, informações como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o Título de Eleitor, a Carteira de Trabalho (CTPS), o Cartão do SUS, o PIS/Pasep, o NIS e o Certificado Militar.
A inclusão desses dados pode reduzir significativamente a quantidade de documentos que os brasileiros costumam carregar no dia a dia. Além da versão física, a identidade também fica disponível digitalmente pelo aplicativo Gov.br, com a mesma validade jurídica do documento impresso.
Quem precisa trocar primeiro?
Apesar de o prazo geral ir até 2032, alguns grupos já possuem datas mais próximas para a atualização cadastral.
Servidores públicos de determinadas esferas e profissionais ligados à segurança pública precisavam apresentar a nova CIN em seus cadastros até 27 de fevereiro de 2026, como parte do processo de integração das bases de dados federais e estaduais.
Para os demais cidadãos, a troca continua facultativa por enquanto. Uma exceção importante envolve pessoas com 60 anos ou mais, já que, para esse grupo, o RG antigo possui validade indeterminada, tornando a substituição pela nova identidade totalmente opcional.
Como tirar a nova Carteira de Identidade Nacional?
A emissão da primeira via é gratuita em todo o país. Para solicitar o documento, o cidadão precisa ter o CPF regularizado junto à Receita Federal e apresentar a certidão de nascimento ou de casamento atualizada.
O procedimento padrão inclui verificar a situação do CPF, agendar o atendimento no órgão responsável do estado, comparecer ao posto com os documentos exigidos, realizar a coleta biométrica junto com a fotografia digital e, por fim, receber o protocolo para a retirada do documento físico.
No estado de São Paulo, por exemplo, o agendamento é realizado pelo Poupatempo, seja presencialmente ou por aplicativo.
Os documentos normalmente exigidos no momento do atendimento são o CPF ou o comprovante de inscrição, a certidão de nascimento para solteiros, a certidão de casamento para casados e o comprovante de residência, quando este for solicitado.
Também é possível levar os documentos adicionais mencionados anteriormente para a inclusão das informações complementares na nova identidade.
CPF regular é requisito obrigatório
Um dos principais motivos que impedem a emissão da nova identidade é a existência de pendências no CPF. Como o documento utiliza o número do CPF como identificação única nacional, qualquer divergência de dados entre a Receita Federal e a certidão apresentada pode bloquear o processo.
Nesses casos, é necessário regularizar a situação cadastral antes de realizar o agendamento.
Documento também vale para viagens
A CIN segue padrões internacionais de identificação e pode ser utilizada como documento de viagem em países do Mercosul, da mesma forma que já ocorre com o RG atual, desde que dentro dos critérios exigidos pelas autoridades migratórias.
Com mais recursos de segurança, integração digital e unificação de informações, a nova Carteira de Identidade Nacional representa uma das maiores mudanças no sistema de identificação civil brasileiro nas últimas décadas.
Para a maioria dos cidadãos, a troca ainda pode esperar, mas o relógio já começou a correr, pois, a partir de março de 2032, a CIN será o único documento oficial obrigatório em todo o país.





