Governo aprova lei que proíbe uso de animais vivos em testes para cosméticos no Brasil

A expectativa é que a medida estimule a inovação no setor e incentive o desenvolvimento de tecnologias não invasivas, alinhadas com os princípios do bem-estar animal

As autoridades sanitárias terão até dois anos para implementar ações que garantam a substituição gradual dos testes em animais por métodos alternativos

As autoridades sanitárias terão até dois anos para implementar ações que garantam a substituição gradual dos testes em animais por métodos alternativos | Freepik

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (30), a lei que proíbe o uso de animais vivos em testes laboratoriais para o desenvolvimento de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal.

Continua após a publicidade

A nova legislação, aprovada pelo Congresso Nacional no início de julho, foi assinada em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Durante o evento, Lula afirmou que a medida representa um passo importante na defesa dos direitos dos animais. “As criaturas que têm como habitat natural o planeta Terra não vão ser mais cobaias de experiências nesse país”, declarou o presidente. Ele classificou a norma como uma ação que “defende a soberania animal”.

Continua após a publicidade

Em 2023, foi aprovada uma lei que proibia animais vertebrados de serem usados testes de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes.

Fim dos testes em cobaias vivas

A lei proíbe, em caráter definitivo, a realização de novos testes em animais para produtos e ingredientes destinados ao setor de cosméticos. A comercialização de produtos já desenvolvidos antes da vigência da norma segue permitida, mas nenhum novo item poderá ser testado em cobaias vivas sob nenhuma circunstância.

Continua após a publicidade

As autoridades sanitárias terão até dois anos para implementar ações que garantam a substituição gradual dos testes em animais por métodos alternativos, que deverão ser oficialmente reconhecidos. O texto também prevê a criação de mecanismos de fiscalização e controle sobre o uso de dados derivados de experimentações com animais.

Avanço ético e ambiental

A ministra Marina Silva destacou o caráter civilizatório da nova legislação. “Quando nós aprendemos a proteger outras formas de vida e outras formas de existência, estamos demonstrando uma elevação em termos de humanidade”, afirmou. Para ela, a norma representa um avanço tanto no campo ético quanto ambiental.

Continua após a publicidade

Com a sanção, o Brasil se junta a uma lista crescente de países que vêm adotando práticas mais sustentáveis e humanitárias na indústria de cosméticos. A expectativa é que a medida estimule a inovação no setor e incentive o desenvolvimento de tecnologias não invasivas, alinhadas com os princípios do bem-estar animal.