Depois de Volkswagen e Mercedes-Benz, a Ford é a terceira montadora do ABC e a quarta do país a aprovar adesão ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego) e a reduzir os salários e a jornada por um período de seis meses que pode ser prorrogado por mais seis. Em troca, os funcionários garantiram estabilidade até agosto de 2017.
A montadora fez acordo para cortar remuneração e jornada, além de prorrogar o “lay-off” (suspensão do contrato de trabalho) de um grupo de funcionários afastados desde maio. Como a partir de janeiro a empresa pretende reduzir o ritmo da linha de produção do ABC, ela pode fazer um novo lay-off a partir de 2016, segundo informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Metade da redução salarial será bancada pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), como prevê a legislação que criou o PPE. Com isso, os salários serão diminuídos em 10% por um período de seis meses, que podem ser prorrogados por mais seis. Na média, o salário de uma montadora da região é de R$ 5.000.
O acordo vale para quase toda a fábrica, que emprega hoje cerca de 4.300. Ficam de fora somente os trabalhadores das chamadas áreas essenciais, que, por razão de segurança, não podem ter jornada reduzida. O número não foi divulgado ainda.
Fim da greve
A decisão foi aprovada em assembleia na manhã desta sexta-feira (18) e põe fim à greve iniciada no dia 10, após a Ford anunciar a demissão de 200 empregados. Procurada, a montadora ainda não se pronunciou.

Os cortes na empresa foram comunicados após o encerramento do prazo de adesão a um PDV (Programa de Demissão Voluntária), que ficou aberto por dois meses e não atingiu a meta pretendida pela empresa, segundo informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
A Ford tem cerca de 4.300 trabalhadores na unidade de São Bernardo do Campo. Desse total, 160 estão em “lay-off” (suspensão temporário do contrato de trabalho) desde maio e 59 estão afastados em banco de horas.
Do grupo de 160 afastados, cerca de 60 podem retornar em outubro e cerca de cem podem ter “lay-off” estendido, segundo o sindicato. Outro grupo de 150 pode ter seus contratos suspensos a partir de janeiro. A empresa havia informado ter um excedente ao menos de 250 metalúrgicos nessa unidade.
A prorrogação foi negociada para evitar o corte de salário de 30%, como inicialmente a empresa pretendia, de acordo com o sindicato.
Benefícios
Assim como o acordo feito na Volks, a redução salarial não atingirá o 13º salário nem as férias e estão mantidos os acordos de reajuste salarial e participação nos lucros.
O sindicato informou ainda que a Ford também garante a complementação do salário reduzido, quando a compensação máxima paga pelo governo -de R$ 900- não atingir a metade da diminuição salarial do trabalhador.
Na Volkswagen, a redução de salário e jornada atingiu 60% do total de empregados da montadora no país e quase a totalidade da fábrica do ABC. A unidade tem 12,6 mil. É a maior já feita desde a criação do programa do governo federal -PPE- e foi aprovada nesta quinta (17) pela maioria dos funcionários.