Novo sistema deve avaliar valorização de professores da educação básica

Também trará inovações no cálculo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)

O novo sistema de avaliação da educação básica deve ampliar o número de indicadores educacionais, contemplando informações como superação de desigualdades e valorização dos professores. Também trará inovações no cálculo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

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Escolas que registrarem maior evolução nas notas entre os 5º e 9º anos do ensino fundamental terão Ideb superior. Hoje, cada etapa tem um índice baseado somente no resultado da avaliação feita pelos alunos e taxas de fluxo (aprovação e abandono). O formato atual de divulgação, entretanto, será mantido para preservar a série histórica, iniciada em 2005.

As mudanças estão previstas no novo Sinaeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). O documento preliminar, ao qual a reportagem teve acesso, deve ser apresentado nesta quinta-feira (5) pelo Inep (Instituto Nacional Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao MEC (Ministério da Educação).

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O processo de construção da proposta levou mais de um ano. O objetivo é realizar encontros nacionais para pactuar com Estados e municípios o novo modelo, que teria um processo de implementação de até três anos a partir da aprovação total. Esse novo sistema é previsto no PNE (Plano Nacional de Educação).

Segundo a proposta, cada escola terá, além do Ideb, ao menos outros cinco índices: 1) universalização do atendimento escolar, 2) melhoria da qualidade do aprendizado, 3) valorização dos profissionais da educação, 4) gestão democrática e 5) superação das desigualdades educacionais.

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Esses índices também serão calculados por rede, etapa de ensino, município, Estado, região, em nível agregado nacional e por recorte de desigualdade.

O formato de cálculo ainda será definido e é um dos temas a serem discutidos nesta quinta. Está previsto, entretanto, que eles partirão de outros 17 indicadores.

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No caso da diretriz “valorização profissional”, por exemplo, vão ser levadas em conta informações como carreira, salário, formação continuada e satisfação profissional dos professores. Para o índice de “universalização do atendimento”, valerão dados sobre acesso e permanência dos alunos e infraestrutura das unidades.

A aferição da maioria dessas informações deve ser obtida a partir de ajustes nos questionários do Censo Escolar ou da Prova Brasil, avaliação feita pelos alunos das escolas do ensino fundamental que compõe o Ideb.

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Está previsto ainda um sistema de autoavaliação das escolas, que deve ser fomentado pelo MEC. A participação progressiva das escolas particulares também é prevista.

CONCEITO

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O objetivo do novo sistema de avaliação é, segundo o documento, considerar as “múltiplas dimensões” da educação básica, “na perspectiva de garantir uma educação de qualidade e a superação das desigualdades educacionais”.

A partir de 2007, a evolução da nota Ideb de cada escola, município ou Estado transformou-se no principal indicador da qualidade da educação no país. Esse processo, segundo especialistas, deixou de lado outros aspectos importantes na avaliação de uma educação de qualidade.

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O Inep já demonstrou esforço para uma melhor contextualização dos indicadores quando, em 2014, divulgou o Ideb de cada escola com seu respectivo Índice de Nível Socioeconômico. Pesquisas apontam que o perfil do aluno tem forte ligação com o resultado escolar.

“Sem que se menospreze a importância do Ideb, já que ele trouxe para o centro do debate político estratégias para melhorar a educação escolar, o termo qualidade envolve outros aspectos tão importantes quanto os dois realçados pelo indicador”, indica o documento.

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A proposta do Sinaeb foi comandada pela Daeb (Diretoria de Avaliação da Educação Básica) do Inep. Mas, segundo consta no projeto, foi resultado de um amplo debate com diversas entidades e pesquisadores.

O Congresso Nacional recebeu duas audiências públicas sobre o tema.

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Há a possibilidade de o ministro Aloizio Mercadante editar uma portaria, que seria assinada nesta quinta, prevendo o novo sistema e o debate sobre ele. A reportagem apurou que alguns pontos não acertados, entretanto, ainda podem segurar o processo.

Um deles é a atribuição do Sinaeb pelo cálculo do Caq (Custo-Aluno Qualidade), dispositivo que fixa o investimento necessário, por estudante, para que se alcance os insumos que uma escola precisa para oferecer uma educação de qualidade. Nessa versão, esse ponto seria de abrangência do Sinaeb.