Instituições de ensino subsidiam juros para não perder aluno do Fies

O grupo Ser Educacional anunciou na quarta-feira, 18, a liberação de uma linha de crédito de até R$ 1 bilhão para seus alunos

Em uma tentativa de evitar a evasão de alunos após as mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do governo federal, as universidades privadas estão subsidiando o juro do financiamento estudantil para cursos de graduação. O grupo Ser Educacional anunciou na quarta-feira, 18, a liberação de uma linha de crédito de até R$ 1 bilhão para seus alunos, em parceria com a financeira Ideal Invest, seguindo anúncios recentes de Estácio e Anima.

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“Essa alternativa pode evitar uma possível redução de alunos que eventualmente não consigam o Fies e não tenham o recurso para estudar”, afirma Jânyo Diniz, presidente do grupo Ser Educacional.

A Estácio também anunciou semana passada que vai bancar a diferença do juro privado com a taxa do Fies, de 3,4% ao ano, em uma linha de crédito da Ideal Invest. “Vimos a dificuldade do aluno de conseguir o Fies e fomos buscar opções no mercado”, explica o diretor comercial da Estácio, George Neiva.

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No modelo de parceria fechado pela Ideal Invest, a financeira paga à universidade no início do semestre o valor de todas as mensalidades do aluno que contratou crédito. O subsídio ao juro é cobrado com um deságio no valor transferido à universidade. O aluno paga uma parcela mensal do financiamento durante a graduação e o restante após se formar. O modelo é diferente do Fies, em que o estudante tem um prazo de carência para pagar o crédito e o valor da mensalidade é transferido pelo governo à universidade.

A Kroton, líder do setor, e a Laureate, controladora de 12 instituições, como Anhembi-Morumbi e FMU, também estudam opções de financiamento.

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Cenário

A mudança nas regras do Fies colocaram o setor de educação em sinal de alerta. A Anima, por exemplo, tem 48% de seus alunos contemplados com o Fies, número que ultrapassa 30% na Estácio e na Ser Educacional. Em relatório, os analistas do BTG Pactual preveem uma evasão de alunos das universidades privadas após 30 de abril, quando se encerram as inscrições do Fies.

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Diante das novas restrições do Fies e da possível queda de alunos nas instituições, o que preocupa, segundo o especialista em educação Carlos Monteiro é a volta da “guerra de preços”, uma disputa que havia acabado com a chegada do Fies. “Isso significaria um problema para as universidades, uma vez que a redução nos preços dificilmente acompanharia a redução dos custos, resultando em um caminho para insolvência.”

Crédito

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A nova regra levou as empresas de educação a bater nas portas dos bancos em busca de um novo modelo de financiamento para seus alunos. Inicialmente, a maior beneficiada foi a Ideal Invest. Mas outras parcerias devem ser realizadas. Neste ano, a Anima reativou sua área de crédito estudantil, focada em desenvolver opções para os alunos.

“Pesquisamos referências no exterior e desenhamos um projeto para um produto próprio de crédito privado, mas aí o Fies surgiu e isso ficou de lado”, lembra o presidente da Anima, Daniel Castanho. “Com o atual cenário, estamos retomando as discussões de quatro anos atrás.”

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A Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes), está reunindo algumas consultorias para formatar uma nova versão do Fies, com a participação dos bancos privados. “Queremos apresentar o Fies 2.0 para o governo até o início de junho”, afirma José Roberto Loureiro, presidente da Laureate Brasil e conselheiro da Abraes.

O banco Santander, que tem 450 grupos universitários como clientes, representando 80% dos alunos do ensino superior privado brasileiro, colocou na pauta de discussões a oferta de financiamento para o setor este ano. “As universidades começaram a nos procurar pedindo soluções de crédito. O modelo pode ser interessante com as universidades dividindo o risco com o banco” avalia o superintendente do Santander Universidades, Daniel Mitraud.

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Hoje os bancos estão praticamente fora da área de crédito estudantil. “É uma operação complexa, sem garantias, há alta evasão escolar e necessidade de reavaliar o cliente a cada seis meses. Além disso, era impossível competir com o Fies”, explica Mitraud.