Futuro de alunos da Zona Noroeste, em Santos, é incerto

Ainda não há consenso sobre futuro dos 927 estudantes.

A Prefeitura Municipal de Santos promete a construção de um novo prédio para atender aos alunos da Unidade Municipal de Ensino (UME) José Carlos de Azevedo Júnior, no bairro Jardim São Manoel, porém ainda não sabe o que fazer com os 927 alunos matriculados.

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O Projeto, lançado em setembro de 2018 e apresentado para a comunidade em novembro – estimado em R$ 10 milhões – tem data prevista para início das obras no segundo semestre desse ano, podendo sofrer alterações de acordo com a assinatura do convênio e liberação de verbas, fruto de uma contrapartida da Ecovias. Contudo, ainda não há consenso do que fazer com os alunos.

De acordo com o presidente da Sociedade de Melhoramentos do bairro, Edimilson Duarte (Didi), a melhor alternativa encontrada até agora foi a realocação dos alunos em uma quadra poliesportiva, um dos únicos equipamentos esportivos e de lazer da comunidade. “Estamos buscando junto com a prefeitura e os pais a melhor forma para resolver essa situação, mas por enquanto, vemos a quadra como uma opção, desde que devidamente adaptada”, comenta.

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Para o vereador Chico Nogueira (PT), a ideia de alocar crianças nesse tipo de estrutura é um erro e nem deveria ser cogitada. “É preciso encontrar alternativas, alugar imóveis, redirecionar para outras escolas com ônibus para levar e trazer. Alguma outra opção. Não podemos deixar que nossas crianças estudem em uma quadra de esportes, é um absurdo. Além do fato de inutilizar um dos únicos espaços de esporte e lazer de centenas de crianças e adolescentes, sem falar nos projetos sociais que existem naquele espaço”, critica o parlamentar.

Em nota, a prefeitura de Santos respondeu que “a equipe da Secretaria de Educação (Seduc) está verificando, junto com a comunidade escolar, as melhores opções para a realocação do alunado, mas, no momento, ainda não há definição”.

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Pais de alunos, atentos as possíveis decisões, esperam que seus filhos sejam devidamente direcionados para acomodações seguras. Para Ana Cristina, mãe de duas meninas que estudam na unidade, a acomodação de alunos em estruturas provisórias é arriscado, “não seria viável e nem produtivo para as crianças. A solução seria um transporte escolar que as levassem para outra escola durante esse período. Mas tem que levar todos os alunos e não apenas uma parte, como ouvi dizer. O provisório é sempre incerto e inseguro. E por lidarem com crianças, incerteza e insegurança devem passar longe de qualquer projeto”.

Para a diretora da Escola, Dona Lourdes, como é conhecida pelos alunos, “do jeito que está é que não pode ficar. Existem inúmeras goteiras, o prédio é muito antigo (1965). As crianças precisam de um local novo. Precisamos decidir o que faremos com os 927 alunos. Espero que não fragmentem, pois fica mais difícil ter controle de tantos alunos sem estar presente. Existem possibilidades como a transferência para outras unidades, ou a locação de imóveis no próprio bairro, assim como a montagem de estruturas temporárias, mas quem decide isso é a prefeitura junto com os pais”.

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Enquanto a incerteza do futuro desses alunos tira o sono de alguns pais, outros se antecipam e buscam outras soluções, como é o caso de Tamyres Baldim, mãe de uma aluna do pré, “ao saber que tinha a possibilidade da minha filha ter que estudar por um ou dois anos em uma quadra, ou dentro de contêiner, procurei outras creches, e soube da inauguração de uma no Jardim Piratininga. Consegui vaga e transferi minha filha, pois não concordo com essa opção de estruturas temporárias, não é a mesma coisa que uma sala de aula, isso pode atrapalhar no aprendizado e desenvolvimento da minha filha”.

Enquanto o Poder Público alega estudar melhor as possibilidades, pais e alunos aguardam ansiosamente os próximos capítulos e os 927 alunos aguardam em meio a goteiras, pingos e incertezas.