Cursos livres viram alternativa para alunos voltarem às escolas

Escolas particulares oferecem esportes e outras atividades enquanto governo não autoriza reabertura e retorno das aulas presenciais

Por Gladys Magalhães

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Desde meados de julho, o governo do estado de São Paulo autorizou a retomada presencial das aulas de cursos extra-curriculares no Estado. Com as escolas fechadas desde março, muitos pais resolveram recorrer a estes cursos para dar um alívio na quarentena das crianças.

O empresário Arnaldo Pinheiro de Camargo Júnior, 45 anos, é um destes pais. Os filhos dele, Bruno e Felipe, de 12 e 14 anos, respectivamente, voltaram a frequentar a escola que estudam, o Colégio Renovação, na Água Funda, para as aulas de futebol e basquete.

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“Quando a escola comunicou que haveria estes cursos, eles logo vieram pedir. Eu os acompanhei na primeira aula para ver se haveria todos os cuidados e fiquei bem tranquilo. A aula demora em torno de 50 minutos e é bem diferente de passar o tempo todo na escola, acho que isso também me deixou mais seguro, fora que é um respiro na rotina deles”, diz o pai.

Segundo o professor de educação física e coordenador de esportes do Colégio Renovação, Thiago Rodrigues Honório Carlos, para que a escola pudesse voltar com as aulas de futebol, futebol society, vôlei e basquete, foi preciso muitas adaptações. “Limitamos o número de alunos e os exercícios foram elaborados para manter o distanciamento, uso de máscara e os protocolos dentro da unidade. Além disso, não estamos fazendo jogos coletivos, apenas trabalhando os fundamentos e exercícios táticos, pois o objetivo principal é retomar o condicionamento físico e a interação social.”

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A psicóloga Flávia Savoia, 36 anos, também optou por mandar os filhos Eduardo, de 1 ano, e Helena, 5, novamente para a escola. Alunos do Colégio MagnoMágico de OZ, eles estão frequentando a recreação infantil e natação. “A escola sempre nos manteve informados do que estava acontecendo, então, quando eles voltaram com os cursos, foi muito tranquilo para a gente deixar que eles voltassem, pois vimos que todos os protocolos de segurança seriam seguidos (…). Eu acredito muito na necessidade de socialização e me sinto muito mais segura de levá-los a um lugar que sei que há profissionais tomando todos os cuidados, do que em um parque, por exemplo, onde não há nenhum tipo de controle.”

O Colégio MagnoMágico de OZ, que fica no Jardim Marajoara, está oferecendo mais de uma dezena de cursos desde agosto. A diretora pedagógica Cláudia Tricate diz que 30% dos alunos estão frequentando as atividades.

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De olho na segurança

Os dois colégios com os quais a Gazeta conversou estão adotando protocolos rígidos de segurança para a ofertas de cursos. Nos dois estabelecimentos há aferição de temperatura, túnel de desinfecção, tapete sanitizante, lugares demarcados para realizar as atividades, entre outros.

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Na opinião da infectopediatra Adriana Paixão, da Beneficência Portuguesa, observar a segurança da escola é o principal para decidir enviar ou não a criança. “É claro que o fato da criança retornar para uma atividade que envolva o convívio com outras pessoas aumenta o risco de contaminação. É maior do que o risco dela permanecer em quarentena em casa. Mas, optando-se pelo retorno, deve-se verificar com as escolas as medidas que estão sendo adotadas para a redução do risco de contaminação, como uso de máscaras e higienização das mãos, e a capacidade da criança em cumprir com essas normas”, alerta.

A professora Daniele Kobsyashi, coordenadora de Pedagogia da Anhanguera Campinas – Ouro Verde, concorda, mas acrescenta que o curso não deve ser remediativo para o momento, “ele precisa constituir-se como uma atividade significativa”. Assim, ela finaliza, além de observar a segurança é preciso observar os objetivos do curso escolhido.