Educação

Austrália proíbe redes sociais para menores de 16 e reacende debate no Brasil

Nova lei mira saúde mental de jovens após dados alarmantes; especialista brasileira que vive no país defende diálogo além da proibição

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 18/02/2026 às 15:30

Atualizado em 18/02/2026 às 15:58

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Pesquisas que apontaram que 74% das crianças e adolescentes australianos já tiveram contato com conteúdo nocivo online / Pexels

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A decisão da Austrália de proibir o acesso às redes sociais para menores de 16 anos passou a valer em dezembro e já provoca repercussão internacional. No Brasil, o tema começa a ganhar espaço no Congresso Nacional com a apresentação de projetos de lei inspirados na medida australiana.

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A legislação foi impulsionada por pesquisas que apontaram que 74% das crianças e adolescentes australianos já tiveram contato com conteúdo nocivo online e 53% relataram ter sofrido cyberbullying.

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O argumento central do governo é a proteção da saúde mental de jovens diante do aumento de ansiedade, depressão e exposição a riscos digitais.

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Banir resolve o problema?

Para a educadora parental brasileira Thelma Nascimento, que vive na Austrália e acompanha os efeitos da nova regra, a discussão precisa ir além da simples proibição.

Autora do livro Me escuta? Porque toda criança merece ser escutada (inclusive a que vive em você), publicado pela Editora Mentor Autor, Thelma defende que o caminho passa pela escuta ativa e pelo fortalecimento do vínculo familiar.

“Mais do que banir, é preciso preparar pais e responsáveis para conversar sobre o que os filhos consomem online”, afirma.

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Segundo ela, dispositivos eletrônicos também impactam a dinâmica familiar. Muitas crianças relatam que não se sentem ouvidas porque os adultos estão constantemente no celular — o que cria um paradoxo: tenta-se limitar o uso dos filhos sem rever o próprio comportamento digital.

Veja também: Jovens cansam das redes, largam celulares e seguem na solidão

Debate chega ao Brasil

No cenário brasileiro, a proposta australiana acende discussões sobre regulação, liberdade individual e responsabilidade parental.

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Especialistas apontam que, embora a restrição possa reduzir a exposição precoce, ela não substitui educação digital e acompanhamento ativo.

A discussão envolve questões como:

  • Capacidade real de fiscalização da idade nas plataformas
  • Riscos de migração para ambientes menos regulados
  • Papel da família na mediação do consumo digital

O livro que dá voz às crianças

Em meio ao debate, Thelma Nascimento reforça a importância da escuta como ferramenta preventiva. Em Me escuta?, a autora reúne relatos reais de crianças e adolescentes de 4 a 18 anos, destacando que muitas queixas não estão ligadas apenas à tecnologia, mas à falta de presença emocional.

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Frases como "Eles falam que vão ouvir, mas já estão no celular" e "Parece que só escutam se a gente grita" revelam que o problema pode estar menos na tela e mais na desconexão afetiva.

Baseada em princípios da neurociência e do apego seguro, a autora defende que limites são necessários, mas devem vir acompanhados de diálogo, validação emocional e coerência dos adultos.

Proibição ou educação?

A experiência australiana ainda está em fase inicial, e seus impactos práticos continuam sendo observados. O que especialistas apontam é que nenhuma legislação substitui a construção de vínculo dentro de casa.

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Para famílias brasileiras, o debate serve como alerta: a proteção digital começa com presença, conversa e exemplo.

No centro da discussão está uma pergunta essencial: é possível proteger adolescentes apenas proibindo, ou é preciso ensinar a navegar?

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