Educação

Aumento de 11,5% da mensalidade gera protesto de universitários em Cubatão

Instituição afirma que o reajuste ocorre devido à inflação e já era planejado

Caroline Melo

Publicado em 16/12/2021 às 08:00

Atualizado em 16/12/2021 às 12:14

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Cerca de 80 estudantes se reuniram em frente à Universidade São Judas, campus Cubatão, para protestar contra o aumento da mensalidade / Arquivo Pessoal/ Ana Luiza Bernardes

Com cartazes dizendo "Mais qualidade e menos mensalidade" e "Aluno não é mercadoria", cerca de 80 estudantes se reuniram em frente à Universidade São Judas, campus Cubatão, na manhã da última terça-feira (14). O grupo, formado por alunos do curso de graduação de Medicina do Centro Acadêmico e participantes do movimento estudantil da Baixada Santista, protestaram contra o reajuste de 11,5% da mensalidade do curso.

A pauta principal foi "educação não é mercadoria". Organizado pelo Centro Acadêmico de Medicina da Universidade, o Centro dos Estudantes da Baixada Santista (CES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), os jovens reivindicaram a revisão do aumento da mensalidade para o ano de 2022. 

A presidente do Centro Acadêmico estudantil, Ana Luiza Bernardes, de 33 anos, afirma que o aumento de 11,5% é injustificável e argumenta que nenhuma universidade da Região teve um reajuste no valor aproximado. 

"Tivemos redução de professores. Laboratórios pouco explorados. Pouca oportunidade de estágio na universidade. A instituição quer que a gente pague os custos dos outros campus. Não temos acesso o suficiente da planilha de gastos do nosso campus, mas sim de todas as universidade da São Judas. Sabemos que o aumento é necessário, mas somos contra o reajuste abusivo de 11,5% e do investimento que não será revertido para o nosso campus. Vamos pagar por algo que não vamos receber", afirma Ana Luiza.

Segundo a estudante do terceiro ano de Medicina, um documento solicitando um posicionamento da diretoria acadêmica sobre o caso foi enviado na última sexta-feira (10). Conforme o registro, os estudantes pedem a revisão da porcentagem do reajuste e sua negociação, além disso, também solicitam a planilha de custos e gastos básicos que a unidade universitária possui, para assim justificar o aumento acima do usual.

Após isso, os representantes do Centro Acadêmico foram convocados para uma reunião com a Administração da unidade acadêmica Dr. Evaldo Stanislau Affonso de Araújo. Segundo Ana Luiza, a universidade afirmou que o aumento da mensalidade não seria negociável devido à inflação, mas que haveria melhorias a serem empregadas, fruto desse aumento da mensalidade. "Ao longo dos 3 anos em que esse campus existe, o centro acadêmico solicitou melhorias que nunca foram realizadas. Nossa infraestrutura é precária, não tem como receber 250 alunos nessa unidade. Não temos áreas comuns nem espaço o suficiente para esquentar comida", diz a presidente.

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Em virtude da falta de acordo entre universidade e centro acadêmico, os estudantes foram às ruas para protestar. No início, a concentração foi em frente ao Campus de Cubatão, na rua São Paulo, o grupo percorreu a Avenida 9 de Abril e finalizou retornando ao campus e colando cartazes na frente da Universidade.

Segundo Aline Cabral, de 24 anos, presidente do CES, é importante pressionar a universidade. “Eles precisam saber que não concordamos com o aumento abusivo, e também incentivar outros cursos e universidades que tiveram o mesmo aumento a se mobilizar”, afirma. Agora, os estudantes aguardam uma nova oportunidade de discutir o reajuste com a Diretoria Acadêmica.

Confira a nota da Universidade na íntegra:

"A Universidade São Judas esclarece que o reajuste de mensalidade acontece anualmente, de acordo com a Lei nº. 9.870/99 e conforme previsto em contrato firmado com seus estudantes. A variação de custos da instituição, bem como os investimentos realizados constantemente para garantir qualidade acadêmica e aprimoramento do curso como um todo, compõem o percentual.

Importante destacar que para a instituição a transparência é fundamental. Por isso, tão logo a decisão foi tomada, toda a comunidade acadêmica foi comunicada, assim como foram realizadas reuniões com as lideranças estudantis. Também estão disponíveis, em todas as unidades, as planilhas que autorizam a recomposição, em atendimento à Lei 9.870/99 e ao Decreto nº 3.274/1999 que a regulamenta.

Por fim, a Universidade reforça o canal aberto com seus estudantes e o compromisso da instituição no seu aprimoramento constante para oferecer a melhor formação e as melhores vivências aos alunos(as)."

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