Educação

Aluna de SP cria dispositivo para diagnóstico de doenças respiratórias

Ana Elisa Brechane vai à principal feira de ciências do mundo mostrar protótipo criado para apoiar tratamento de asma e bronquite

Luana Fernandes

Publicado em 17/05/2024 às 16:02

Atualizado em 17/05/2024 às 16:10

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Ana Elisa Brechane da Silva tem 16 anos / Divulgação

16 anos de idade e já com história para contar. Ana Elisa Brechane da Silva quer cuidar da saúde das pessoas através  do ConnectBreathe, dispositivo capaz de fazer o diagnóstico e também apoiar o tratamento de doenças respiratórias.

Com esse projeto, além de receber premiações na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), no mês de março, Ana foi selecionada para a maior feira do mundo do mesmo assunto, a Feira Internacional de Ciências e Engenharia (International Science and Engineering Fair - Isef), que acontece até esta sexta-feira (17), em Los Angeles.

"O ConnectBreathe pode fazer o diagnóstico do sistema respiratório dos pacientes para doenças como asma, bronquite, enfisema pulmonar, e também pode fazer o tratamento para fortalecer a musculatura respiratória desses pacientes e de quem foi acometido por Covid, por exemplo", explica a estudante de Santa Rita d'Oeste, a 177 quilômetros de São Paulo.

Esta é a segunda vez que Ana Elisa é selecionada para a Isef com o mesmo projeto. No ano de 2022, a estudante esteve em Atlanta, nos Estados Unidos com a primeira versão do ConnectBreathe, idealizado com o objetivo de apoiar a fisioterapia respiratória, no tratamento pós-Covid. 

Ela recebeu com surpresa o anúncio da segunda seleção. "Na época, considerei que a minha seleção ocorreu por conta da problemática da Covid. Jamais imaginei que seria selecionada novamente, apesar de ter continuado a trabalhar no projeto e expandido suas possibilidades de diagnóstico e tratamento", afirma ela.

Atualmente, a aluna está matriculada na Escola Estadual Professora Maria das Dores Ferreira da Rocha, na Diretoria Regional de Ensino de Jales. Além de reconhecer o apoio e incentivo da família e dos professores da unidade no desenvolvimento de todo o projeto, ela destaca a atuação do professor doutor Eder Carlos Antoniassi, docente que atua com projetos científicos em aulas voluntárias aos finais de semana.

O professor Eder acompanha Ana Elisa à feira em Los Angeles e fará a ponte, segundo Ana, para que o projeto ConnectBreathe — que tem baixo custo de produção e pode modificar a forma como as doenças respiratórias são tratadas —, seja patenteado.

O que é o ConnectBreathe?

O projeto, que leva o nome e sobrenome ConnectBreathe: sistema biomédico multiplataforma para fisioterapia respiratória com gameterapia, e agora é apresentado mundialmente, envolve, de acordo com Ana e Eder, um sistema biomédico multiplataforma capaz de fazer a análise da musculatura pulmonar dos pacientes através de uma manovacuometria digital (um teste em que é preciso inspirar e expirar) e promover o fortalecimento da musculatura respiratória, aliando os exercícios a jogos digitais lúdicos. A aluna desenvolveu duas válvulas para oferecer resistência ao fluxo respiratório e fortalecer a musculatura respiratória nos exercícios.

A partir do conhecimento em gameterapia, e como complemento dispositivo pressórico, a jovem cientista criou um aplicativo para dispositivos móveis com jogos digitais temáticos com conexão via bluetooth e uma plataforma para computadores para deixar os exercícios respiratórios lúdicos e motivantes, que podem aumentar a adesão e permanência no tratamento.

Ana na Febrace

Na Febrace, Ana Elisa recebeu um total de quatro premiações, entre elas a de 1º lugar na categoria Ciências e Saúde, o que possibilitou a classificação para a feira internacional de ciências e engenharia.

Para a jovem cientista, o grande momento foi receber uma premiação das mãos de seus ídolos na ciência. "Eu recebi um dos prêmios de destaque entregues pelo Iberê Thenório e Mariana Fulfaro, do Manual do Mundo, um canal que assisto e acompanho desde criança. Foi um choque pra mim, que venho de uma cidade tão pequena. Não tenho como explicar a minha reação e emoção em receber um prêmio feito pelo Iberê", conta.

Mesmo estando entre as alunas cientistas do Ensino Médio em uma feira de caráter mundial, Ana mantém os pés no chão. "Eu competi com estudantes que têm muito mais recursos e estão em grandes centros, como estudantes de escolas particulares. Espero que consiga continuar a desenvolver esse projeto. Gostaria muito de cursar faculdade em uma área que esteja ligada a ele, e quem sabe continuar ajudando em várias condições e outras situações cotidianas", finaliza.

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