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Cortado por uma linha histórica imaginária, esse vilarejo brasileiro aposta na economia criativa

Cerâmica, cestaria, tecelagem e peças decorativas feitas à mão não são apenas souvenires: são a principal fonte de renda de muitas famílias

Fábio Rocha

Publicado em 23/02/2026 às 13:02

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O distrito de Olhos D'Água encontrou no artesanato e na economia criativa uma maneira de manter viva sua identidade / Reprodução/Youtube

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Entre estradas tranquilas e paisagens do interior goiano, um pequeno distrito vem chamando atenção não apenas por sua história, mas por algo ainda mais atual: a forma como transformou tradição em motor de desenvolvimento sustentável.

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Localizado no município de Alexânia, o distrito de Olhos D’Água encontrou no artesanato e na economia criativa uma maneira de manter viva sua identidade, sem abrir mão da preservação ambiental e cultural.

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Um vilarejo que sobrevive da própria cultura

Diferente de destinos que cresceram com grandes empreendimentos, Olhos D’Água construiu seu caminho apostando no trabalho manual.

Cerâmica, cestaria, tecelagem e peças decorativas feitas à mão não são apenas souvenires: são a principal fonte de renda de muitas famílias.

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Os ateliês funcionam nas próprias casas, criando um circuito onde visitantes acompanham o processo criativo, conversam com os artesãos e entendem como cada peça carrega memória e técnica transmitidas entre gerações.

Mais do que turismo, o que se vê ali é uma rede colaborativa onde produção, venda e experiência acontecem no mesmo espaço.

Turismo de experiência, não de pressa

Quem visita o distrito percebe rapidamente que o roteiro não gira em torno de “checklists” turísticos. A proposta é outra: vivenciar o cotidiano local.

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Caminhar pelas ruas de arquitetura colonial, sentar para um café preparado no fogão a lenha, ouvir histórias de moradores antigos e observar o ritmo dos teares fazem parte da experiência. O visitante deixa de ser espectador e passa a ser participante.

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Essa lógica também se estende à gastronomia. Restaurantes familiares priorizam receitas tradicionais, ingredientes regionais e preparo artesanal, uma valorização do sabor que dialoga diretamente com a proposta cultural do lugar.

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Natureza como aliada

Além da força cultural, o distrito mantém uma relação íntima com o meio ambiente. A Cachoeira do Ouro é um dos principais atrativos naturais da região, cercada por vegetação preservada e águas claras.

O fluxo de visitantes é moderado, o que ajuda a manter o equilíbrio ecológico. Para muitos, o passeio até a cachoeira representa um complemento ideal: cultura pela manhã, natureza à tarde.

Um território marcado pela história

Embora hoje o foco esteja na economia criativa, o distrito também carrega um detalhe histórico curioso: ele é atravessado pela antiga linha do Tratado de Tordesilhas, acordo firmado em 1494 que dividiu terras entre Portugal e Espanha durante o período das grandes navegações.

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A marca é simbólica, invisível a olho nu, mas reforça a ideia de que o lugar sempre esteve conectado a movimentos maiores da história.

Memória preservada

Parte desse passado é resguardada pelo Memorial Olhos D’Água, espaço que reúne fotografias, objetos e registros da formação da comunidade.

O local ajuda a entender como a vila surgiu e como conseguiu preservar suas tradições mesmo diante das transformações econômicas e sociais do país.

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Um modelo de desenvolvimento silencioso

Enquanto muitos destinos disputam atenção com grandes estruturas e eventos de massa, Olhos D’Água segue outro caminho: crescimento orgânico, valorização da identidade e turismo de pequena escala.

O resultado é um lugar que não se define apenas pela paisagem ou por um fato histórico curioso, mas pela capacidade de transformar cultura em sustento e convivência em experiência.

Mais do que um refúgio tranquilo, o distrito se tornou exemplo de como pequenas comunidades podem prosperar quando reconhecem o valor do que já possuem.

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