Entre ruas gramadas, rios, praias e uma extensa área de Mata Atlântica preservada, um loteamento pouco conhecido localizado em Iguape, no litoral sul de São Paulo, chama atenção por suas características incomuns. Com terrenos anunciados a partir de R$ 30 mil e apenas algumas dezenas de moradores, o local se transformou em um verdadeiro refúgio para quem busca tranquilidade e contato direto com a natureza.
Conhecido como Loteamento Aquarius, o empreendimento foi criado no fim da década de 1970 e surgiu com a proposta de receber centenas de moradores. Mais de 500 lotes foram comercializados ao longo dos anos, mas o crescimento ficou muito abaixo do esperado.
Veja fotos das casas e terrenos da região capturadas a partir do canal no Youtube Antes de Partir Viagens:
















Atualmente, menos de 30 casas foram construídas e cerca de 20 moradores vivem permanentemente na região, segundo informações apresentadas em um vídeo do canal “Antes de Partir Viagens”.
Um loteamento onde a natureza domina a paisagem
Logo na entrada do Aquarius, o cenário já chama atenção. Ao contrário dos bairros convencionais, as casas aparecem de forma espaçada e dividem espaço com uma vegetação abundante.
As ruas são outro diferencial. Em vez de asfalto, grande parte das vias é coberta por grama e cercada por árvores. Em alguns trechos, é possível percorrer longas distâncias sem encontrar nenhuma residência.
O resultado é uma paisagem que lembra mais uma área rural ou uma reserva natural do que um loteamento tradicional.
Segundo moradores entrevistados pelo canal, o principal atrativo do local é justamente o sossego.
“Você vem para cá porque gosta de tranquilidade. Quem gosta de agitação nem vem para cá”, relatou uma moradora.
Entre o rio e o mar
O loteamento está localizado em uma área cercada por recursos naturais. De um lado estão praias e áreas de mar aberto. Do outro, o Rio Ribeira, considerado um dos principais cursos d’água da região.
A proximidade com rios, canais e áreas de pesca faz com que muitos proprietários utilizem os imóveis como casas de veraneio. Algumas residências possuem acesso próximo às margens do rio, facilitando atividades como pesca e passeios de barco.
Moradores afirmam que a abundância de água e a tranquilidade da região estão entre os principais motivos que levam pessoas a adquirir terrenos no local.
História ligada ao cultivo de arroz
Além das paisagens naturais, a região também guarda capítulos importantes da história de Iguape.
De acordo com relatos de moradores, a área fazia parte da antiga Fazenda Santana. Durante o período imperial, extensas áreas da região foram utilizadas para o cultivo de arroz, atividade que marcou a economia local durante décadas.
Segundo os relatos, a produção agrícola chegou a receber reconhecimento internacional, tornando-se uma das referências históricas do município.
Preservação ambiental é levada a sério
A forte presença da Mata Atlântica faz com que as regras ambientais sejam rigorosas para quem deseja construir no local.
Moradores explicam que qualquer obra depende da apresentação de projetos e da obtenção das autorizações necessárias. Árvores existentes nos terrenos são catalogadas e o descumprimento das regras pode resultar em multas e embargos.
Em um dos casos citados durante a visita ao loteamento, uma construção teria sido interrompida após o corte irregular de árvores protegidas.
As exigências ambientais ajudam a explicar por que grande parte dos lotes continua coberta por vegetação nativa mesmo após décadas da criação do empreendimento.
Centenas de terrenos ainda estão disponíveis
Apesar de ter sido lançado há quase 50 anos, o Aquarius ainda possui uma grande quantidade de lotes sem construções.
Segundo informações apresentadas no vídeo, mais de 400 terrenos permanecem disponíveis. Os lotes variam entre aproximadamente 420 e mais de mil metros quadrados.
Os valores podem variar conforme a localização e o tamanho, com preços que partem de cerca de R$ 30 mil e podem chegar a R$ 70 mil.
No entanto, algumas áreas ainda possuem infraestrutura limitada. Há ruas que sequer contam com postes de energia elétrica, exigindo investimentos adicionais para futuras construções.
Internautas alertam para restrições ambientais e riscos na região
Nos comentários do vídeo publicado pelo canal “Antes de Partir Viagens”, diversos internautas destacaram que a compra de terrenos na região exige atenção às regras ambientais e às características naturais da área.
“Antes de construir tem que procurar a Cetesb para que façam uma vistoria e análise do que pode ou não derrubar para construir porque pertence à Mata Atlântica e é APA (Área de Proteção Ambiental)”, escreveu um dos usuários.
Outro comentário destacou que “pode-se comprar e construir, mas com estrita aprovação dos órgãos ambientais”, ressaltando a necessidade de obter licenças antes do início de qualquer obra.
Também houve relatos relacionados às condições naturais da região.
“Quase comprei um terreno aí em 1979, mas por sorte veio a enchente e inundou tudo”, afirmou um internauta.
Já outro usuário comentou que a proximidade com o Rio Ribeira e áreas costeiras pode representar desafios para futuros proprietários, especialmente em períodos de chuvas intensas.
Entre as mensagens publicadas, alguns usuários também mencionaram a burocracia necessária para obtenção de autorizações ambientais, enquanto outros defenderam a preservação da vegetação nativa remanescente da Mata Atlântica.
Os comentários representam opiniões e experiências relatadas por usuários da plataforma e não substituem consultas aos órgãos ambientais e à prefeitura local, que podem fornecer informações atualizadas sobre as condições de construção e ocupação dos terrenos.
