Brasil

Vendaval seco que destruiu SP liga alerta para novo padrão de caos climático

Evento atípico ligou o radar para previsões e segurança em áreas urbanas

Jeferson Marques

Publicado em 17/12/2025 às 15:11

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Árvore gigantesca e pesada atinge carro durante vendaval seco em SP / Paulo Pinto/Agência Brasil

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A quarta-feira 10 de dezembro virou um “capítulo esquisito” no histórico do tempo na capital paulista: vento muito forte por horas, mas sem chuva. Segundo a análise da Climatempo, as rajadas começaram por volta das 9h e seguiram até perto das 21h, com longos períodos acima de 75 km/h. O pico, em Congonhas, chegou a 96,3 km/h, apontado como a maior rajada sem chuva documentada na cidade desde o início das medições oficiais usadas como referência pela empresa.

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O resultado, mesmo com céu variando entre sol e nuvens, foi de cenário de temporal: árvores no chão, rede elétrica danificada e transtornos pela cidade.

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Por que chamou tanta atenção

Vento na casa de 90 a 100 km/h não é exatamente “novidade” quando vem junto de tempestade, com nuvens carregadas, pancadas fortes e descargas elétricas. O ponto fora da curva, aqui, foi a combinação de intensidade + duração + ambiente seco. Em episódios anteriores com rajadas semelhantes, a capital estava sob forte instabilidade; desta vez, o motor do estrago não foi a nuvem de chuva, e sim o vento persistente, sustentado durante horas.

Na prática, é como se São Paulo tivesse recebido o barulho e o empurra-empurra do temporal, mas sem a “assinatura” clássica da chuva.

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O que explica o “vendaval seco”

A Climatempo relaciona o episódio à atuação de baixa pressão e à influência de ciclones extratropicais, que podem criar gradientes de pressão fortes o bastante para acelerar o vento por muito tempo, mesmo sem formar tempestades no ponto onde a rajada é medida. A empresa chama atenção para um risco que costuma enganar: quando não chove, muita gente relaxa. Só que vento extremo derruba árvore do mesmo jeito, com o bônus perigoso de solo mais seco e copas cheias, o que aumenta a chance de queda.

Foi nesse contexto que a Climatempo defendeu separar, na análise e nos alertas, o vento forte “de temporal” do vento forte “seco”, prática já usada em centros meteorológicos de outros países. A ideia é simples: impactos parecidos, causas diferentes, e isso muda o jeito de prever, alertar e responder.

O que muda daqui pra frente

O episódio acende um alerta para padrões de vento extremo que podem aparecer mais vezes quando a atmosfera “encaixa” essa configuração de pressão. E isso mexe com rotina e planejamento: Defesa Civil, concessionárias, aeroportos, parques e até a poda de árvores entram nessa equação. Para a população, a mensagem é objetiva: se tem aviso de vento forte, não espere a chuva para levar a sério.

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*Com informações da Climatempo

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