Quem passa pelo Sertãozinho, em Ubatuba, mal consegue acreditar que aquela estrutura tomada pelo mato já foi o refúgio de um dos homens mais polêmicos do Brasil. Arrematada em leilão por R$ 750 mil em 2018, a famosa mansão de Clodovil Hernandes virou um “presente de grego” para a empresária Thalita Daiane de Melo.
Mas afinal, por que ela pagou quase um milhão de reais e nunca pôde mudar para lá? O motivo é um “nó” jurídico que envolve três grandes barreiras.
1. O imóvel “não existe” para a lei
A mansão foi construída em uma Área de Preservação Ambiental (APA). Na prática, isso significa que a proprietária está proibida de fazer qualquer reforma, ampliação ou até mesmo a manutenção básica. Como o imóvel está em péssimo estado, ele se tornou inabitável. Sem autorização para reformar, a casa segue apodrecendo.
O tempo está sendo implacável com a mansão de Clodovil, em Ubatuba / Youtube – Lolo Bolado2. Ordem de demolição total
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) move uma ação pesada contra o espólio. O argumento é que a construção causa danos irreversíveis à Mata Atlântica. Em 2021, a Justiça já mandou derrubar partes da casa, como o canil e o ex-quarto do estilista. O destino final da mansão, segundo o MP, deve ser o chão.
3. Propriedade vs. Direito de Uso
No leilão, não foi vendida a escritura definitiva do terreno, mas sim o direito de uso, já que a área pertence à União (terreno de marinha). Ao descobrir que comprou um imóvel que não pode ser tocado e que corre o risco de ser demolido a qualquer momento, a compradora entrou na Justiça para anular o leilão e receber o dinheiro de volta.
O estado atual da mansão é de quase irrecuperável, entregue ao abandono / Youtube – Lolo BoladoO cenário atual
Atualmente, o local virou um ponto turístico clandestino para exploradores urbanos e curiosos. Enquanto o processo não termina, o dinheiro segue travado na Justiça, a proprietária não tem a posse real e a natureza vai, aos poucos, retomando o espaço que um dia foi puro glamour.
