Medicilândia é hoje a maior produtora de amêndoas secas de cacau do Brasil / Pixabay
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O município de Medicilândia, no sudoeste do Pará, está no centro de um debate que pode reforçar sua identidade econômica e cultural. Um projeto de lei em tramitação no Senado propõe conceder à cidade o título de Capital Nacional do Cacau, reconhecimento que reflete a força produtiva e social da cultura cacaueira na região.
A proposta (PL 77/2020) foi discutida na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, a pedido do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), que destacou o cacau como uma atividade capaz de unir desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
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Medicilândia é hoje a maior produtora de amêndoas secas de cacau do Brasil. A cidade colhe cerca de 50 mil toneladas por ano, volume que corresponde a quase metade de toda a produção do Pará.
Segundo dados do setor, o estado soma mais de 169 mil hectares cultivados e arrecada aproximadamente R$ 358 milhões em ICMS, evidenciando a importância econômica da cadeia do cacau.
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Além da quantidade, a qualidade das amêndoas produzidas em Medicilândia é um diferencial. Produtores locais acumulam prêmios nacionais e internacionais, resultado do investimento em organização, pesquisa e melhoria dos processos produtivos.
Esse reconhecimento fortalece a presença do cacau da Transamazônica em mercados exigentes e consolida a competitividade do produto brasileiro no cenário global.
O município também avança na verticalização da produção, deixando de atuar apenas na extração da matéria-prima. Hoje, Medicilândia já conta com mini indústrias de chocolate e uma unidade de grande porte voltada à moagem do cacau, ampliando a geração de empregos e renda local.
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O cacau é cultivado majoritariamente em sistemas agroflorestais, permitindo a manutenção da floresta em pé. A atividade se encaixa na legislação ambiental do Pará, que exige a preservação de 80% das propriedades rurais, e contribui para fixar famílias no campo.
A Rota Turística do Cacau ao Chocolate permite que visitantes acompanhem todas as etapas da produção, do plantio à fabricação do chocolate. O município também celebra sua vocação com a ExpoCacau, evento reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará.