‘Tempestade perfeita’: Porto de Santos pode sofrer novo apagão logístico com crise global

Guerra no Irã, alta de combustíveis e reforma tributária ameaçam concentrar cargas e saturar operação no cais santista; setor alerta para risco de atrasos e falta de contêineres

Reforma tributária deve reduzir incentivos fiscais para o desembarque de cargas em portos menores (Divulgação/APS)

Uma combinação de fatores econômicos e operacionais acendeu um alerta no setor de transporte marítimo brasileiro e pode pressionar ainda mais o Porto de Santos, principal hub logístico do país. O cenário, classificado por empresas como uma “tempestade perfeita”, foi revelado em reportagem da Folha de S. Paulo.

Segundo a publicação, o setor avalia os impactos simultâneos da chegada do inverno, do prolongamento da guerra no Irã, da alta no preço do combustível marítimo e dos efeitos da reforma tributária. A soma desses elementos pode provocar gargalos logísticos e ampliar a já existente pressão sobre a capacidade operacional do porto santista.

Um dos pontos centrais da preocupação envolve justamente a reforma tributária. De acordo com empresários ouvidos pela reportagem, a mudança deve reduzir incentivos fiscais para o desembarque de cargas em portos menores, o que tende a concentrar ainda mais operações em Santos. Esse deslocamento pode intensificar a saturação de um complexo que já enfrenta limitações estruturais e desafios de acesso.

Além disso, fatores sazonais também entram na equação. O período de inverno, que começa em junho, costuma trazer condições mais adversas para a navegação, como marés mais intensas e neblina, o que pode atrasar operações de atracação e saída de navios — especialmente em portos que não dispõem de infraestrutura tecnológica adequada para essas condições.

No cenário internacional, a instabilidade geopolítica também pesa. O conflito envolvendo o Irã tem impacto direto no custo do combustível utilizado por embarcações — um tipo de diesel pesado —, que já registra aumento significativo. Mesmo operadores que não utilizam rotas próximas ao Oriente Médio acabam sendo afetados pela alta global dos preços e por mudanças logísticas nas rotas marítimas.

Outro gargalo apontado é a disponibilidade de contêineres. O fluxo desequilibrado — com mais unidades saindo do Brasil do que retornando — reduz a oferta de equipamentos no país, dificultando exportações e pressionando custos logísticos.

Na prática, a convergência desses fatores pode ampliar o tempo de operação, elevar custos e gerar impactos em cadeia sobre a economia, especialmente considerando o papel estratégico do Porto de Santos, responsável por grande parte do comércio exterior brasileiro.