Super El Niño faz cidades brasileiras cancelarem festas tradicionais e dispara alarme de crise climática

Fenômeno deve se estabelecer em junho e pode durar até o verão de 2027, com chuvas muito acima da média histórica

Cidades brasileiras cancelam festas tradicionais com receio dos efeitos do Super El Niño

Cidades brasileiras cancelam festas tradicionais com receio dos efeitos do Super El Niño - Imagem gerada por IA / Diário do Litoral

Pelo menos cinco cidades de Santa Catarina cancelaram festas tradicionais depois que o governo do estado decretou alerta climático por causa do Super El Niño. A decisão foi tomada entre os dias 22 e 27 de maio de 2026. O fenômeno deve se estabelecer a partir de junho e pode durar até o verão de 2026/2027.

Festas que não vão acontecer

Entre os eventos suspensos estão a Festa da Cachaça, em Gaspar, e a Festa da Polenta, em Rio do Oeste. Treze Tílias e outras cidades do Vale do Itajaí também cancelaram suas celebrações. A região foi castigada por enchentes históricas nos últimos anos e não quer correr riscos.

As prefeituras preferiram agir antes que o pior aconteça. Em vez de organizar festas, os municípios estão focados em medidas de prevenção. O governo de Santa Catarina assinou um decreto de alerta climático em 18 de maio com validade de 180 dias. Ele pode ser prorrogado se o risco continuar.

As festas canceladas movimentam a economia local e atraem turistas de várias regiões. A decisão não foi fácil. Mas os prefeitos entenderam que o risco de enchentes e temporais não valia a pena.

Por que o medo voltou

O Super El Niño preocupa porque mexe com o volume de chuvas no Brasil. A tendência é de temporais muito mais intensos e frequentes nos próximos meses em algumas regiões, enquanto outras terão secas prolongadas ou chuva sem padrão.

Em 2024, mais de 900 pessoas precisaram sair de casa por causa das enchentes provocadas pelo El Niño em Santa Catarina.

O estado já viveu tragédias com enchentes devastadoras em 1983 e 2023. A história mostra que esperar o desastre acontecer sai mais caro. O decreto não significa emergência, mas permite que as cidades consigam recursos para obras de drenagem e limpeza de rios com mais agilidade.

A região está na mira dos meteorologistas. O Centro Europeu de Previsões e a Administração Oceânica dos Estados Unidos já emitiram alertas sobre a força do fenômeno. O aquecimento das águas do Pacífico não para de crescer. Os modelos climáticos indicam que o pico do El Niño deve acontecer entre o fim de 2026 e o começo de 2027.

O governo estadual já anunciou investimentos em monitoramento, capacitação de equipes e modernização de barragens. A ideia é evitar o que aconteceu em anos anteriores, quando as águas subiram rápido e pegaram muita gente desprevenida. O colunista José Renato Nalini já destacou que não é o clima que está louco e que os eventos extremos pedem uma nova postura da sociedade.

O alerta que vale para o Brasil todo

O fenômeno não afeta só Santa Catarina. A população do litoral de São Paulo também deve ficar de olho. O aumento das chuvas pode trazer enchentes e alagamentos para a Baixada Santista. A Defesa Civil já emitiu alertas de tempestade para a região nas últimas semanas.

O El Niño também mexe com os preços dos alimentos e pode sobrecarregar o sistema de saúde. Um levantamento do Diário do Litoral mostrou como o Super El Niño ameaça a feira, o supermercado e a saúde dos brasileiros. As plantações sofrem com o excesso de chuva em algumas regiões e com a seca em outras.

As cidades que cancelaram festas mostraram um caminho: é melhor prevenir do que remediar. O momento exige planejamento e ação antecipada. A temporada de festas tradicionais pode esperar. A segurança da população, não.