Sindicato repudia as ‘falsas lideranças’

Sindicato dos caminhoneiros acredita que movimento de 7 de setembro pró Bolsonaro é político e não vislumbra as principais lutas da categoria

Cubatão e Praia Grande estão entre as cidades com índices de roubo de carga

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O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira – Sindicam (caminhoneiros) emitiu e distribuiu, na última quinta-feira (2), uma nota de repúdio aos rumores sobre convocações por “supostas lideranças” representativas dos caminhoneiros autônomos de cargas para o próximo dia 07, quando ocorrerão manifestações em favor do Governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

“Muito embora ciente das dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros em todo o País, como o alto preço do óleo diesel, os baixos preços dos fretes ofertados, falta de infraestrutura nas rodovias, tarifas de pedágios elevadas e ausência de fiscalização eficiente das leis que protegem a categoria, infelizmente o atual chamamento para a paralisação, além de não oficializados pelas verdadeiras entidades sindicais da categoria, não possui qualquer pauta especifica em favor da categoria dos transportadores autônomos, bem como caracteriza-se como um movimento meramente político”, assina o presidente Luciano Santos de Carvalho.

O Sindicam acrescenta que todos aqueles que aderirem ao movimento de forma independente devem atentar para o estrito cumprimento da Constituição Federal, das leis e da ordem, com cuidados de prevenção ao contagio do COVID, além garantir a manutenção dos serviços essenciais, o direito de ir e vir, em especial do transportes de combustível, medicamentos, alimentos perecíveis.

A manifestação do Sindicam ratifica uma reportagem publicada com exclusividade pelo Diário em 29 de julho último, mostrando que o presidente começava a se desgastar com a categoria

No dia 25 daquele mês, dezenas de caminhoneiros que trabalham no Porto de Santos iniciaram um movimento de 48 horas contra a inércia do Governo Federal em relação as suas reivindicações. Uma greve geral e nacional chegou a ser cogitada e o Porto de Santos é estratégico para o movimento.

A reclamação é que Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, não cumpriram as promessas feitas na última grande greve de 2018.

Entre as reivindicações, os caminhoneiros exigem que o Governo Federal desatrele o valor dos combustíveis – diesel, gasolina, álcool, gás de cozinha – ao preço do dólar. O diesel usado nos caminhões já custa R$ 5,50 o litro. Também querem isenção de tributos federais e estaduais sobre o óleo diesel; pedágios mais baixos e ainda reclamam de multas injustas no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), que foi prometido que seriam extintas.

Os caminhoneiros também questionam a promessa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de uma tabela referencial de fretes, prometida e não cumprida pelo Governo Bolsonaro. A ANTT é a autarquia federal responsável pela regulação das atividades de exploração da infraestrutura ferroviária e rodoviária federal e de prestação de serviços de transporte terrestre.

Segundo apurado pela Reportagem, a questão da tabela de fretes não seria interessante para o Agronegócio, que estaria explorando os caminhoneiros para fazer fretes de longa distância no transporte de grãos para o Porto de Santos onde ele é escoado.

A última estimativa da quantidade de caminhoneiros autônomos do porto santista estava em oito mil – mil no trabalho interno do conhecido Vira e sete mil no transporte intermunicipal.