Brasil

Sem Rodoanel, Porto de Santos travaria: corredor virou peça-chave da logística nacional

Trecho Sul dobrou fluxo de caminhões em 15 anos, sustenta recordes do porto e já é considerado essencial para quase 30% da corrente comercial brasileira

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 13/04/2026 às 15:15

Atualizado em 13/04/2026 às 16:28

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Quinze anos após entrar em operação, o corredor se transformou em eixo estratégico para o escoamento de cargas do país / Wikimedia Commons

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O crescimento histórico do Porto de Santos — que movimentou 186,4 milhões de toneladas em 2025, maior marca já registrada pelo complexo — tem como um de seus principais sustentáculos a consolidação do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas.

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Quinze anos após entrar em operação, o corredor se transformou em eixo estratégico para o escoamento de cargas do país, dobrou o fluxo de caminhões destinados ao porto e reconfigurou a logística rodoviária entre o interior paulista, a Região Metropolitana e a Baixada Santista.

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Atualmente, cerca de 31 mil caminhões percorrem diariamente o Trecho Sul. Desse total, mais de 10 mil têm como destino o Porto de Santos — número que representa o dobro do registrado no início da operação da via, em 2011.

O avanço evidencia como a infraestrutura rodoviária passou a ser um fator determinante para a expansão do maior porto da América Latina, responsável hoje por 29,6% de toda a corrente comercial brasileira.

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Em dezembro, a malha rodoviária de São Paulo ganhou um reforço histórico com a inauguração oficial do primeiro trecho do Rodoanel Norte. A abertura desta etapa conectará diretamente as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias através de um traçado de 25 quilômetros, marcando o início da conclusão do maior anel viário do país.

Corredor eliminou gargalo histórico no acesso ao litoral

Antes da entrada em operação do Rodoanel, o transporte rodoviário de cargas destinado ao Porto de Santos dependia majoritariamente da travessia pela malha urbana da capital paulista, especialmente pelas marginais e corredores congestionados da Região Metropolitana.

A relevância do corredor se amplia diante da forte dependência rodoviária do Porto de Santos A relevância do corredor se amplia diante da forte dependência rodoviária do Porto de Santos (Divulgação/GovernoSP)

Esse modelo elevava custos logísticos, aumentava o tempo de viagem e limitava a capacidade de crescimento do próprio porto.

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Com a implantação do Trecho Sul, foi criado um corredor dedicado de acesso ao Sistema Anchieta-Imigrantes, permitindo ligação direta ao litoral sem necessidade de passagem pelo centro expandido de São Paulo.

Segundo Andrew Aquino, gerente de operações da concessionária SPMAR, a mudança foi estrutural para a logística nacional. “O Trecho Sul resolveu o principal gargalo logístico do país. Sem ele, o crescimento do porto teria emperrado no congestionamento da cidade”, afirma.

Expansão do porto depende cada vez mais do modal rodoviário

A relevância do corredor se amplia diante da forte dependência rodoviária do Porto de Santos. Atualmente, 62,8% de toda a carga movimentada pelo complexo chega por caminhões.

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Na prática, isso significa que mais da metade da operação do porto depende diretamente da fluidez do sistema viário que conecta os polos produtivos do país ao litoral paulista.

Sem a expansão da infraestrutura logística terrestre, o crescimento recorde do porto nos últimos anos dificilmente teria sido absorvido.

Ganho operacional reduziu custos

Além de resolver o gargalo físico de acesso ao porto, o Trecho Sul também alterou a lógica operacional das transportadoras, que passaram a priorizar o corredor diante da maior previsibilidade e eficiência logística.

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Segundo Aquino, o setor percebeu rapidamente as vantagens econômicas da mudança de rota. “O custo total da viagem é frequentemente menor, pois a velocidade constante reduz o consumo de combustível e desgaste de pneus/freios, muito diferente do anda e para dos grandes centros”, explica.

O ganho operacional ocorre mesmo em trajetos que, em alguns casos, apresentam quilometragem ligeiramente superior à de rotas urbanas antigas, compensado pela fluidez e pela redução do tempo parado no trânsito.

Trecho Sul conecta corredores logísticos de acesso ao litoral, interligando rodovias como Régis Bittencourt, Anchieta e Imigrantes (Wikimedia Commons)

Mais importância com terceira pista da Imigrantes

A expectativa do setor é que a importância estratégica do Rodoanel cresça ainda mais nos próximos anos com a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes.

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O novo acesso também será conectado ao Trecho Sul, ampliando a capacidade de descida da serra e permitindo absorção de volumes ainda maiores de cargas com destino ao Porto de Santos.

A integração entre as duas obras é vista como fundamental para evitar novos gargalos logísticos no médio prazo, diante da projeção de continuidade da expansão portuária.

Quem é o responsável?

Uma das maiores estruturas rodovias do Brasil, Rodoanel Governador Mário Covas - também conhecida como Rodoanel -, é, sem dúvidas, essencial para aqueles que vivem no Estado de São Paulo: segundo dados da SPMAR, concessionária responsável pela administração da estrada, mais de 1,6 milhão de pessoas circularam pelos trechos Sul e Leste da estrutura durante o natal e o ano novo.

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Responsável pela gestão dos trechos Sul e Leste do Rodoanel, a SPMAR administra atualmente 64% do anel viário metropolitano em operação.

O Trecho Sul conecta os principais corredores logísticos de acesso ao litoral, interligando rodovias como Régis Bittencourt, Anchieta e Imigrantes.

Já o Trecho Leste conecta o sistema à Dutra, Ayrton Senna e SP-66, ampliando o alcance do corredor para diferentes regiões produtoras do país.

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Infraestrutura virou ativo estratégico

Com o Porto de Santos consolidado como principal porta de entrada e saída do comércio exterior brasileiro, a eficiência logística de seu acesso terrestre passou a ser tratada como questão estratégica para a competitividade do país.

Nesse cenário, o Trecho Sul do Rodoanel deixou de ser apenas uma obra viária para se tornar peça central da infraestrutura econômica nacional — condição reforçada pelo volume de cargas que hoje atravessa diariamente a rodovia rumo ao maior porto do Brasil.

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