O relatório aponta para uma "captura do orçamento" por interesses políticos / Antônio Cruz/ Agência Brasil
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O Brasil encerrou 2025 sem motivos para comemorar no quesito integridade. O Índice de Percepção da Corrupção (IPC), principal termômetro global do setor público, confirmou que o país segue estagnado: somamos apenas 35 pontos, ocupando a 107ª posição entre 182 nações.
O resultado nos coloca bem abaixo da média mundial e ao lado de países como o Sri Lanka.
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O grande alerta deste ano vai além do desvio de verba comum. O relatório aponta para uma "captura do orçamento" por interesses políticos.
Com as emendas parlamentares batendo o recorde de R$ 60 bilhões, o controle sobre o dinheiro público tornou-se fragmentado e opaco, criando o ambiente ideal para a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado.
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Casos de grande repercussão, como os esquemas no INSS e no Banco Master, foram usados para ilustrar como a corrupção se profissionalizou, utilizando brechas no sistema financeiro e no setor jurídico para movimentar fortunas longe dos radares.
Embora a queda na percepção de integridade tenha atingido até democracias ricas, como Estados Unidos e Reino Unido, o Brasil preocupa pela falta de reação.
Enquanto países como Dinamarca (89 pontos) e Finlândia (88) lideram o ranking com folga, o Brasil patina na mesma nota há anos, consolidando uma imagem de insegurança institucional para investidores e cidadãos.
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Dica do editor: STF forma maioria para rejeitar denúncia contra Gleisi por corrupção.
A Transparência Internacional não apenas apontou falhas, mas sugeriu caminhos práticos para os Três Poderes:
Judiciário: Implementação de um código de conduta rigoroso para o STF, acabando com a falta de transparência em agendas e combatendo os supersalários.
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Legislativo: Controle real e público sobre as emendas parlamentares e a regulamentação do lobby.
Executivo: Fortalecimento da inteligência financeira, seguindo o exemplo positivo da Operação Carbono Oculto, que usou tecnologia para rastrear lavagem de dinheiro.
O Brasil de 2025 não regrediu apenas na pontuação, mas na qualidade de suas defesas. O desafio agora é impedir que a corrupção deixe de ser um desvio para se tornar parte oficial do funcionamento do Estado.
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