Presidente da Argentina pede desculpas após falar que brasileiros vieram da selva

A declaração foi feita durante um encontro com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez

O presidente argentino, Alberto Fernández, pediu desculpas nesta quarta-feira, 9, por ter dito que mexicanos vieram dos índios, brasileiros vieram da selva e argentinos, de barco da Europa. “Eu não quis ofender ninguém”, afirmou em sua conta oficial no Twitter. A declaração foi feita durante um encontro com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez.

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“Afirmou-se mais de uma vez que ‘os argentinos descendem de navios’. Na primeira metade do século 20, recebemos mais de 5 milhões de imigrantes que viviam com nossos povos nativos. Nossa diversidade é um orgulho”, escreveu o presidente argentino em seu Twitter. “Eu não quis ofender ninguém, em qualquer caso, peço desde já desculpas a quem se sentiu ofendido ou invisibilizado.”

Na reunião com Sánchez, Fernández creditou sua inspiração a uma frase erroneamente atribuída ao diplomata mexicano e Prêmio Nobel da Paz Octavio Paz, que teria dito “os mexicanos são descendentes de astecas, os peruanos dos incas e os argentinos dos barcos”.

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Meios de comunicação locais, no entanto, identificaram que o trecho vem de uma música chamada Llegamos de los barcos, do cantor argentino Litto Nebbia, que diz exatamente as mesmas palavras.

O momento foi registrado em vídeo publicado no Twitter oficial da Casa Rosada.

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Embora grande parte da população argentina seja composta por descendentes de imigrantes, muitos deles vindos da Europa no século 19 e 20, o país tem uma importante herança indígena, que mescla as culturas incas, mapuches, patagônicas entre outras etnias. O país também teve mão de obra africana durante seu período colonial.

Na segunda metade do século 19, a Campanha do Deserto (1878-1885), liderada pelo general Julio Argentino Roca, conquistou as estepes do sul do país, amplamente povoada por povos originários. A maioria deles foi aculturada, morta e submetida a trabalhos forçados. Muitos dos escravos afroamericanos argentinos também morreram durante a Guerra do Paraguai (1864-1870).