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Prefeitura libera 'Mounjaro grátis' para população, mas acerta no genérico 'duvidoso'

Cidade do Interior de SP distribui tirzepatida manipulada na rede pública; farmacêutica e médicos questionam segurança do medicamento

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 05/03/2026 às 14:52

Atualizado em 05/03/2026 às 15:20

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Especialistas demonstraram preocupação com a distribuição em larga escala de versões manipuladas do medicamento / Reprodução

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A prefeitura de Urupês, no interior paulista, anunciou a distribuição gratuita do medicamento para obesidade conhecido comercialmente como Mounjaro na rede pública.

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Após repercussão, a gestão municipal esclareceu que o produto oferecido não é o original da indústria farmacêutica, mas uma versão manipulada da substância tirzepatida.

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O anúncio inicial utilizava o nome comercial do medicamento, mas foi alterado depois de críticas da farmacêutica Eli Lilly, detentora da patente. Nos comunicados mais recentes, a prefeitura passou a citar apenas o princípio ativo.

Segundo a administração municipal, a tirzepatida começou a ser distribuída na rede pública na última terça-feira (3). A iniciativa transforma a cidade na primeira do estado a oferecer o tratamento por meio do Sistema Único de Saúde.

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Questionamentos sobre segurança

Especialistas demonstraram preocupação com a distribuição em larga escala de versões manipuladas do medicamento.

De acordo com o endocrinologista Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a entidade se opõe ao uso de tirzepatida manipulada em programas públicos por possíveis riscos à segurança dos pacientes.

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Isso ocorre porque medicamentos manipulados não passam pelo mesmo processo rigoroso de avaliação que produtos industrializados aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Segundo Dornelas, a tirzepatida é uma molécula complexa e sensível a fatores ambientais, o que exige controles rigorosos durante a fabricação. “Ainda que a farmácia diga que o medicamento é seguro, sempre há risco de impurezas na fórmula”, explica.

Farmacêutica pede suspensão

Em nota, a Eli Lilly informou que solicitou ao prefeito de Urupês a interrupção imediata da distribuição do medicamento. A empresa afirma que o produto distribuído pelo município não foi revisado nem aprovado pela Anvisa.

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Para a farmacêutica, o programa também estaria fora do escopo permitido para manipulação de medicamentos no país.

O que diz a prefeitura

Procurada pela reportagem, a prefeitura afirmou que o medicamento é produzido por empresa farmacêutica autorizada pela Anvisa e possui certificados de regularidade técnica, além de laudos de fabricação e análises físico-químicas e microbiológicas.

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Segundo a gestão municipal, cada dose é manipulada individualmente, mediante prescrição médica específica e acompanhamento de um endocrinologista. A prefeitura também afirma que não haverá estoque do medicamento.

Quem pode receber o medicamento

O programa municipal estabelece critérios para acesso ao tratamento. Entre eles estão:

  • Estar em situação de vulnerabilidade social;
  • Ter 40 anos ou mais;
  • Possuir Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m² com pelo menos duas comorbidades;
  • Ou IMC igual ou superior a 35 kg/m² com ao menos uma comorbidade.

Debate sobre medicamentos manipulados

A manipulação de tirzepatida não é considerada ilegal no Brasil, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determina que medicamentos manipulados não devem substituir produtos industrializados já aprovados no mercado.

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Segundo Nelson Mussolini, do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, medicamentos originais passam por anos de estudos clínicos, auditorias e inspeções internacionais antes de chegar ao mercado.

Já farmácias de manipulação têm maior liberdade para importar matérias-primas, o que pode reduzir garantias de pureza e segurança.

O alerta não é exclusivo do Brasil. A Food and Drug Administration também aponta riscos na manipulação inadequada desse tipo de medicamento, que pode resultar em contaminação, dosagem incorreta do princípio ativo e, em casos extremos, danos graves à saúde dos pacientes.

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