Pfizer diz que só pedirá uso emergencial de vacina contra Covid após contrato com governo

Secretário do Ministério da Saúde diz que "não pode pegar a Pfizer pelo braço e pedir que ela entre com pedido na Anvisa"

Representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disseram à Pfizer nesta quarta (30) que a agência está disposta a fazer novas mudanças nos critérios exigidos para pedidos de uso emergencial de vacinas contra Covid-19 caso houver necessidade.

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A empresa, no entanto, reforçou no encontro que só deve solicitar o uso emergencial da vacina no Brasil quando fechar o contrato com o governo.

A posição de ambos os lados foi apresentada em reunião entre a alta gestão da agência e do laboratório.

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Um dia antes do encontro, a Anvisa divulgou mudanças nos requisitos de uso emergencial de vacinas contra a Covid-19. A medida ocorreu após a Pfizer divulgar, em nota, que não pretendia pedir o uso emergencial da vacina devido a condições estabelecidas pela Anvisa nesse processo, “o que leva mais tempo de preparação.”

Entre os pontos citados como impasses estava a cobrança de um quantitativo detalhado de doses e um cronograma para oferta a população.

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Após a queixa, a Anvisa alterou a redação para que laboratórios possam informar apenas uma previsão da oferta, sem que precisem dar dados exatos.

Em reunião nesta quarta, segundo a reportagem apurou, porém, a Pfizer apontou que, sem um contrato, até mesmo a previsão é incerta. O laboratório está negociando junto ao Ministério da Saúde a oferta de doses para vacinação.

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Uma carta de intenções foi firmada no início de dezembro, mas o acordo final ainda não foi fechado.

Na terça (29), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, rebateu críticas de que haja demora do governo em fechar acordos com laboratórios para obter vacinas e disse que não pode “pegar a Pfizer pelo braço” e pedir que a empresa entre com pedido na Anvisa.

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Segundo ele, a pasta só pretende fechar a compra quando a vacina tiver autorização da Anvisa.

Após a reunião, a Pfizer divulgou uma nota em que afirma que a reunião com a Anvisa foi “positiva” e que a agência apresentou proposta de modular pontos do guia de uso emergencial, possibilitando uma maior agilidade na submissão desse tipo de processo.

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“Uma nova reunião técnica será realizada e, com base nessa discussão adicional e no andamento das negociações com o governo brasileiro, a Pfizer irá avaliar a possibilidade de solicitar o uso emergencial. Em paralelo, a companhia continuará dando andamento ao processo de submissão continua junto à agência, em busca de uma rápida aprovação do registro de sua vacina.”

Também em nota, a Anvisa informou ter esclarecido à Pfizer que o documento com critérios para pedido de uso emergencial “está alinhado com as principais autoridades reguladoras estrangeiras e tem caráter orientativo”. Disse ainda que, se necessário, a empresa pode justificar o eventual não cumprimento de todos os requisitos –em especial a previsão sobre o quantitativo de vacinas, informa.

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Segundo a Anvisa, a previsão é importante para agilizar a liberação dos lotes, “no entanto, essa informação não tem vinculação a eventuais estratégias de aquisição por órgãos do governo”.