Brasil

O café brasileiro que nasce das fezes de uma ave e conquista o mercado internacional

Produzido a partir de grãos ingeridos pelo jacu, café brasileiro conquista mercado gourmet

Agência Diário

Publicado em 03/03/2026 às 17:22

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Café mais caro do Brasil vem das fezes do pássaro jacu / Neil Yonamine/Pexels

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O que antes era prejuízo na lavoura virou oportunidade milionária. Em regiões montanhosas do Sudeste, produtores brasileiros transformaram fezes de uma ave nativa em um dos cafés mais caros e curiosos do mundo.

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Chamado de café do jacu, o produto nasce de um processo natural e artesanal que começa quando o pássaro se alimenta dos grãos maduros e termina na xícara com status de iguaria gourmet.

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O resultado chama atenção não apenas pelo método inusitado, mas também pelo preço elevado e pela demanda crescente no exterior.

De praga agrícola a estrela gourmet

Durante décadas, o jacu foi considerado um vilão das plantações. A ave se alimenta justamente dos grãos mais maduros, aqueles que o produtor aguardou meses para colher. Cada visita do pássaro significava perda direta na safra.

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No entanto, alguns agricultores perceberam que os grãos ingeridos saíam praticamente intactos nas fezes. Além disso, passavam por um processo digestivo rápido que alterava características químicas e sensoriais do café.

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Assim, o que parecia destruição virou diferencial competitivo. Ter jacus circulando livremente pela fazenda passou a indicar potencial para produzir um café raro, com sabor distinto e alto valor agregado.

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Processo natural e sem cativeiro

Diferentemente de outros cafés exóticos do mundo, o brasileiro depende totalmente da natureza. As aves vivem soltas na Mata Atlântica e escolhem espontaneamente quais frutos consumir, sem qualquer intervenção humana direta.

Os jacus demonstram preferência pelos grãos mais vermelhos e maduros. Coincidentemente, isso ocorre no inverno, período em que há menos frutas disponíveis na floresta, o que aumenta o consumo de café pelos animais.

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Depois da digestão, os produtores recolhem manualmente os “cafezes” espalhados pelo terreno. As sementes são então lavadas, secas, higienizadas e preparadas para torra, em um trabalho minucioso e demorado.

Preço alto e mercado internacional

Todo esse cuidado se reflete no custo final. A produção é limitada, depende do comportamento das aves e exige mão de obra intensiva, fatores que tornam o café do jacu um item de luxo no mercado.

Uma saca de 60 quilos pode ultrapassar valores impressionantes, enquanto pequenas embalagens chegam a custar várias vezes mais que cafés especiais tradicionais. Ainda assim, há consumidores dispostos a pagar pela experiência.

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O produto tem forte aceitação na Europa e entre apreciadores de cafés raros. Para muitos, não se trata apenas de bebida, mas de curiosidade gastronômica e símbolo de exclusividade na pausa diária para o café.

Com origem improvável e história surpreendente, o café do jacu mostra como a natureza pode transformar um problema em oportunidade. E deixa no ar uma pergunta inevitável: até onde vai a criatividade humana quando o assunto é sabor?

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