Pane ou erro em teste? O que já se sabe sobre a causa da queda de avião no interior de SP

Aeronave fazia voo de avaliação com três pilotos a bordo, realizou manobras incomuns após a decolagem e caiu a poucos metros do aeroporto; investigação do Cenipa já trabalha com algumas hipóteses

Queda de avião em Marília, no interior de São Paulo

A aeronave atingiu uma área próxima à Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) (Divulgação/Defesa Civil)

A queda do avião de pequeno porte que matou dois pilotos e deixou um sobrevivente em Marília, no interior de São Paulo, abriu uma série de questionamentos sobre o que teria provocado o acidente.

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Embora a resposta definitiva ainda dependa da investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), as informações já reunidas ajudam a traçar os primeiros cenários analisados pelos especialistas.

O bimotor Beech Aircraft Baron 58, de prefixo PT-MDB, caiu na manhã desta quarta-feira (10), poucos minutos após decolar do Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich.

A aeronave atingiu uma área próxima à Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), provocando um incêndio de grandes proporções.

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Voo não era comum

Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos investigadores é que a aeronave realizava um voo de teste. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, os três ocupantes eram pilotos. Os profissionais identificados como Henrique Guariente e Gabriel Maloni morreram no acidente. Entre os ocupantes, apenas Pablo, de 28 anos, sobreviveu. Equipes de resgate o socorreram em estado grave.

O fato de a aeronave estar sendo avaliada por uma equipe especializada sugere que o voo tinha como objetivo verificar sistemas, desempenho ou condições operacionais após manutenção ou algum procedimento técnico recente.

Dados de rastreamento divulgados por plataformas de monitoramento de voo mostram que o avião permaneceu nas proximidades do aeroporto após a decolagem.

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Em vez de seguir uma rota convencional, a aeronave realizou três voltas no ar antes de perder altitude e cair.

Para especialistas em aviação, esse comportamento costuma indicar que a tripulação identificou algum problema logo após a decolagem e tentou retornar à pista.

A manobra é conhecida como retorno à base e geralmente ocorre quando os pilotos avaliam que não há condições seguras para prosseguir com o voo.

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O local da queda reforça essa hipótese. O avião caiu a aproximadamente um quilômetro do aeroporto, sugerindo que a tentativa de retorno foi interrompida antes da aterrissagem.

Avião estava regularizado

Uma das primeiras verificações realizadas pelos investigadores envolveu a situação documental da aeronave.

Registros da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) apontam que o avião, fabricado em 1985, estava com situação regular e possuía certificado de aeronavegabilidade válido.

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Isso não elimina a possibilidade de falhas técnicas, mas indica que não havia impedimentos legais para a operação do equipamento.

Com base nas informações disponíveis até o momento, algumas hipóteses passaram a ser consideradas pelos investigadores.

A principal delas envolve uma possível falha mecânica ou perda de potência em um dos motores durante a subida inicial. Em aeronaves bimotoras, esse tipo de situação exige respostas rápidas da tripulação, especialmente quando ocorre em baixa altitude.

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Outra possibilidade é a perda de controle durante as manobras de retorno ao aeroporto. Em situações de emergência, curvas realizadas em velocidade reduzida podem comprometer a sustentação da aeronave, aumentando o risco de estol — condição em que as asas deixam de gerar sustentação suficiente para manter o voo.

O incêndio que destruiu grande parte da fuselagem também chamou a atenção dos peritos. Como os tanques ainda continham combustível, a hipótese de falta de combustível, conhecida como pane seca, praticamente perde força neste momento.

Veja como foi o acidente no interior de São Paulo:

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Sobrevivente pode ajudar a esclarecer o acidente

Agora, a expectativa da investigação está concentrada na análise dos destroços e no depoimento do piloto sobrevivente.

Equipes do SERIPA IV, unidade regional do Cenipa responsável pela ocorrência, já iniciaram a coleta de peças, documentos de manutenção e informações operacionais da aeronave.

Assim que houver condições médicas, o relato do sobrevivente poderá fornecer detalhes decisivos sobre os últimos minutos do voo, ajudando os investigadores a entender se a tripulação enfrentou uma falha mecânica, uma emergência operacional ou outro fator ainda desconhecido.

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Até a conclusão do relatório final, que pode levar vários meses, todas as hipóteses permanecem em análise e nenhuma causa oficial foi confirmada.