Com a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus e a suspensão das aulas presenciais, 31% dos pais de alunos de escolas públicas do país temem que os filhos não continuem na escola. Além da necessidade de trabalhar, os responsáveis também apontam a falta de motivação como fator que pode levar ao abandono escolar.
A pesquisa foi feita pelo Datafolha a pedido da Fundação Lemann e Itaú Social. Foram feitas 1.018 entrevistas com pais de 1.518 estudantes da rede pública de todas as regiões do país entre os dias 11 e 20 de junho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
Entre os pais que relatam o temor do abandono escolar, 71% afirmam que os filhos estão desmotivados para estudar durante a suspensão das aulas presenciais e 44% afirmam que o relacionamento em casa piorou no período. Para 80% deles também há dificuldade em manter uma rotina de estudos com as atividades a distância.
Dados da PNAD Contínua da Educação 2019 mostram que 20% dos 50 milhões de jovens de 14 a 29 anos no país estão fora da escola ainda que não tenham concluído a educação básica. A maioria afirma ter parado de estudar porque precisava trabalhar ou por falta de interesse.
Especialistas e gestores de educação temem que a pandemia intensifique a saída de alunos da educação básica.
A pesquisa mostra que entre maio e junho aumentou o número de alunos que estão recebendo algum tipo de atividade não presencial durante a pandemia – subiu de 74% para 79%. Ainda assim, 47% dos pais afirmam não achar que os filhos estão preparados para concluir a série atual.
Para 73% dos pais deveria haver aulas aos sábados e 72% avalia que o ano letivo deveria ser prorrogado até 2021.
