O cenário parece extraído de um conto de realismo fantástico. No meio da imensidão azul do Rio São Francisco, no sertão de Pernambuco, uma torre de igreja em estilo neogótico emerge solitária. Ela desafia o tempo e a correnteza.
Porém, as autoridades inundaram propositalmente a antiga cidade de Petrolândia em 1988. Deixaram apenas a Igreja do Sagrado Coração de Jesus como ruína visível.
Diferentemente de outros vilarejos, Petrolândia preservou um ícone que se tornou parada obrigatória. Os viajantes chegam de longe para vê-la. A estrutura não é apenas um monumento à fé. É um portal para uma cidade submersa. Atrai mergulhadores e entusiastas da história.
Além disso, o Brasil reconhece o local como a única igreja submersa com infraestrutura turística. A visitação guiada funciona regularmente.
Memória viva sob as águas
A história dessa “Atlântida Brasileira” começou com o avanço do progresso. As autoridades evacuaram a antiga sede do município. O objetivo? Viabilizar a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga.
Milhares de famílias deixaram suas casas, praças e comércios. Ocuparam a “Nova Petrolândia”. Enquanto isso, a maioria das construções foi demolida. Mas a Igreja permaneceu de pé. Gradualmente, as águas do Velho Chico a abraçaram.
Essa resistência transformou a ruína em símbolo de memória afetiva. Atualmente, o monumento está em processo de tombamento pela Fundarpe. Isso reforça sua importância como patrimônio cultural.
A torre que vemos hoje é apenas a “ponta do iceberg”. Sob a superfície, a nave guarda detalhes arquitetônicos que encantam os mergulhadores e tornam o lugar algo icônico.
Mergulho na história e turismo de fé
Para quem busca turismo de aventura, Petrolândia oferece experiência sem paralelos. A aproximadamente 10 metros de profundidade, é possível explorar o interior da igreja. Os arcos preservados impressionam. A magnitude da construção surpreende.
A visibilidade da água favorece a exploração. O clima do sertão ajuda. Revela um santuário subaquático onde o silêncio protege a antiga vila.
Além do mergulho autônomo, o turismo contemplativo movimenta a economia local. Passeios de catamarã e lancha funcionam regularmente. Os visitantes chegam a poucos metros da torre e, para finalizar o passeio, tocam na pedra secular que sobrevive à erosão.
É um destino único. Une a mística do sertão com a engenharia brasileira. Prova que a história de um povo, mesmo submersa, continua a respirar, e que o Brasil precisa aprender a resgatar as suas memórias e valorizar a sua rica narrativa.
Fontes: Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), IBGE, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e BMC News.
