O bullying é crime no Brasil?

Ana Paula Siqueira, sócia do Siqueira Lazzareschi de Mesquita Advogados, mestre em Direito Civil, professora universitária e diretora da ClassNet Consultoria

Ana Paula Siqueira

Ana Paula Siqueira | DIVULGAÇÃO

Não, não é. Pode parecer surpreendente que um modo de violência que afeta milhares de pessoas em todo o Brasil sequer seja oficialmente considerado crime no país, mas o fato é que o nosso Código Penal, de 1940, não inclui o bullying entre os atos passíveis de punição criminal.

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Atualmente os casos são julgados pelo crime correlato realizado no bullying. A agressão continuada, por exemplo, se torna lesão corporal; os xingamentos são considerados difamação.

O dia 7 de abril, Dia Nacional de Combate ao Bullying, é uma data estabelecida para que este tipo de violência seja debatido e os meios de controle, aprimorados.

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Apresentei proposta de projeto de lei para que o bullying seja criminalizado no Brasil, sem prejuízo das penas pelos crimes cometidos durante a ação.

O agressor que comete a lesão corporal, continuará respondendo por ela, mas terá também a penalização pelo bullying, configurado pela perseguição sistemática e de longo prazo, que deixa marcas psicológicas muitas vezes permanentes nas vítimas.

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No Brasil existe desde 2016 a Lei 13.185, que define o bullying e estabelece medidas preventivas a serem tomadas por escolas, clubes e agremiações.

A proposta que apresentei estabelece também penalidades para essas entidades que não cumprirem os programas preventivos estabelecidos pela Lei 13.185.

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Mais do que punir, a criminalização do bullying será uma ferramenta estatística para a criação de ações preventivas.

Faço um paralelo com a Lei 13.104/2015, que tornou o feminicídio um crime de homicídio qualificado. Antes da lei, o feminicídio era registrado como um homicídio tendo uma mulher como vítima. Após a lei, os boletins de ocorrência passaram a especificar o crime pela condição de mulher da vítima.

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Com esses dados, a sociedade entendeu o tamanho do problema da violência doméstica e do feminicídio, passando a agir com muito mais vigor e eficiência para coibir os crimes.

É preciso fazer o mesmo com o bullying, ara que os novos casos não sejam descobertos somente após se transformarem em tragédias.

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Enquanto o Congresso Nacional não decide pela criminalização, resta à sociedade se valer das ferramentas que possui para prevenir novos casos.

Embora seja impossível eliminar completamente o bullying, existem muitas medidas eficazes que podem ser tomadas para prevenir e lidar com esse comportamento prejudicial.

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Segue uma relação de cinco medidas que devem ser adotadas por pais, educadores e estudantes para evitar o bullying na escola e promover um ambiente escolar seguro e acolhedor para todos.

Educação e conscientização:

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A educação e conscientização sobre bullying é um pilar fundamental na prevenção e combate a esse problema tão presente nas escolas. Infelizmente, muitas crianças e jovens não entendem o impacto que suas ações podem ter sobre os outros, e podem até mesmo achar que o bullying é uma forma aceitável de lidar com conflitos ou diferenças.

Por isso, é importante que as escolas e os educadores dediquem tempo e recursos para ensinar os alunos sobre o bullying, seus efeitos prejudiciais e como identificar e denunciar comportamentos abusivos. Essa educação pode incluir discussões em sala de aula, atividades interativas e jogos educacionais que ajudam a sensibilizar os alunos sobre o tema.

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Ao entender o que é o bullying e seus efeitos negativos, as crianças e jovens podem se tornar mais empáticos e compreender a importância de respeitar e valorizar as diferenças entre seus colegas. Eles também podem aprender a identificar comportamentos de bullying, como intimidação, assédio ou exclusão social, e denunciar essas ações para as autoridades escolares.

Além disso, a educação e conscientização sobre bullying também pode ajudar a prevenir o comportamento de bullying entre os próprios alunos, incentivando-os a serem mais tolerantes e respeitosos com os outros.

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Criação de uma cultura positiva:

A cultura escolar tem um grande impacto na forma como os alunos interagem entre si e com os funcionários, e pode afetar significativamente a saúde mental e emocional dos estudantes. Por isso, é fundamental criar uma cultura positiva na escola, que promova o respeito, a inclusão e a empatia, e onde todos os alunos e funcionários se sintam valorizados e respeitados.

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Uma cultura positiva começa com a liderança da escola, que deve estabelecer valores claros de respeito e inclusão, e trabalhar para criar um ambiente onde esses valores sejam promovidos ativamente. Isso pode incluir atividades educacionais e extracurriculares que incentivem a interação positiva entre os alunos, além de programas de mentoria e aconselhamento que ajudem a desenvolver a empatia e o respeito pelos outros.

A cultura escolar positiva também deve ser um espaço onde os alunos sintam-se seguros e respeitados. Isso pode ser alcançado através da implementação de políticas rigorosas de tolerância zero para o bullying, da promoção de um ambiente livre de violência, e da criação de espaços seguros onde os alunos possam conversar abertamente com funcionários de confiança, como orientadores ou conselheiros.

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Todos devem trabalhar juntos para promover valores de respeito e inclusão, e para garantir que a escola seja um lugar seguro e acolhedor para todos.

Treinamento de professores e funcionários:

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O treinamento de professores e funcionários é uma das medidas mais importantes que as escolas podem adotar para combater o bullying. Os professores e funcionários da escola desempenham um papel crucial na criação de um ambiente seguro e saudável para todos os alunos, e devem estar preparados para reconhecer e lidar com o bullying de maneira eficaz.

O treinamento deve incluir informações sobre como identificar diferentes formas de bullying, incluindo bullying verbal, físico e psicológico. Os professores e funcionários também devem aprender a reconhecer os sinais de que uma criança pode estar sendo vítima de bullying, bem como os sinais de que uma criança pode estar envolvida em comportamentos de bullying.

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Além disso, os professores e funcionários devem receber treinamento sobre como apoiar as vítimas de bullying e como ajudar os agressores a mudar seu comportamento.

O treinamento deve ser contínuo e atualizado regularmente, para garantir que os professores e funcionários estejam sempre atualizados sobre as melhores práticas de combate ao bullying.

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Intervenção precoce:

A intervenção precoce é fundamental para combater o bullying nas escolas. É essencial que os incidentes de bullying sejam abordados imediatamente, para que não se tornem mais graves e prejudiciais. As escolas devem ter estratégias de intervenção precoce para identificar e lidar com o bullying, a fim de garantir que os alunos se sintam seguros e protegidos no ambiente escolar.

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A intervenção precoce envolve a identificação imediata do bullying e a intervenção ativa para garantir que o comportamento pare. Isso pode incluir a mediação entre a vítima e o agressor, o aconselhamento para ambos e a implementação de medidas disciplinares, se necessário.

Além disso, é importante que as escolas criem um ambiente onde as vítimas se sintam seguras para denunciar o bullying e os agressores possam ser responsabilizados por suas ações. As escolas devem ter canais de denúncia seguros e confidenciais, onde os alunos possam relatar o bullying sem medo de retaliação.

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A intervenção precoce não só ajuda a prevenir o bullying, mas também ajuda a garantir que as vítimas recebam o apoio necessário para lidar com os efeitos emocionais do bullying.

Apoio às vítimas:

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Oferecer apoio às vítimas de bullying é uma parte crucial do combate ao bullying nas escolas. É importante que as vítimas saibam que têm um sistema de suporte em que podem confiar e que estão sendo ouvidas e levadas a sério.

O apoio às vítimas de bullying pode incluir aconselhamento individual ou em grupo, bem como outras medidas de proteção, como escolta para a escola ou sala de aula, se necessário. Essas medidas podem ajudar a garantir que a vítima se sinta segura e protegida, reduzindo o risco de futuros incidentes de bullying.

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Além disso, é importante oferecer suporte emocional às vítimas de bullying, ajudando-as a lidar com o trauma e a reconstruir sua autoestima e confiança. Isso pode incluir a participação em atividades extracurriculares ou programas de mentoria, para que as vítimas possam se sentir mais conectadas e apoiadas em sua comunidade escolar.

Também é importante lembrar que as vítimas de bullying podem ter diferentes necessidades e que o apoio deve ser adaptado a cada caso individual. Algumas vítimas podem precisar de mais apoio emocional, enquanto outras podem precisar de medidas de proteção mais rigorosas.

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É importante que as escolas trabalhem em estreita colaboração com as vítimas e suas famílias para garantir que o suporte seja adequado e eficaz.