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Conforme registro de boletim de ocorrência, o agente de apoio socioeducativo foi agredido na tarde do dia 21 de março do mês passado, quando recebeu chutes, socos e cusparadas, além de um golpe na região do pescoço, que o deixou inconsciente
Facebook/José de Souza Souza
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O funcionário da Fundação Casa Arnaldo Campos Garcia, 63, que havia sido espancado por internos enquanto trabalhava em uma unidade no Complexo Raposo Tavares, na zona oeste da capital paulista, não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã deste sábado (30).
Conforme registro de boletim de ocorrência, o agente de apoio socioeducativo foi agredido na tarde do dia 21 de março do mês passado, quando recebeu chutes, socos e cusparadas, além de um golpe na região do pescoço, que o deixou inconsciente.
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Após as agressões, ele foi conduzido ao Hospital das Clínicas de São Paulo. Depois de passar um período na unidade, sua família resolveu o transferiu para o hospital Samaritano, na região da avenida Paulista, onde ele morreu nesta manhã.
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A Fundação Casa informou ter acompanhado o quadro de Garcia desde o momento da agressão, além de ter prestado apoio para a família do funcionário. O caso é investigado pela Corregedoria da instituição.
Por volta das 14h, o corpo de Arnaldo Campos Garcia já estava no IML (Instituto Médico Legal), onde deve passar por exames, para possível liberação neste sábado. O sepultamento do agente deve ocorrer no domingo (1°), em Osasco, na Grande São Paulo.
No momento da agressão, Garcia vigiava um grupo de adolescentes em uma atividade. Segundo o documento elaborado pela Polícia Civil, sete jovens, entre os quais quatro com 18 anos, teriam participado das agressões. Eles já foram identificados.
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Ao menos outros três internos, que estavam na mesma sala, se recusaram a agredir o homem e ficaram em um canto.
O quarteto maior de idade foi conduzido para um CDP (Centro de Detenção Provisória), por tentativa de homicídio, qualificação que deve ser alterada com a confirmação da morte.
"Eu gostaria que, infelizmente, o que aconteceu com meu marido, não voltasse a acontecer mais com nenhum agente. Que o Estado olhasse para a Fundação Casa, melhorasse o efetivo, melhorasse a segurança dos trabalhadores e que as esposas não sofressem o que eu estou sofrendo agora", disse para a Folha a mulher de Garcia, a enfermeira Angela do Nascimento Garcia, 55.
O casal tem dois filhos, de 26 e 25 anos.
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Para Angela, seu marido morreu devido ao descaso da Fundação Casa em repor o quadro de funcionários, já que o número de internos é maior do que a quantidade de agentes necessários para acompanhar as atividades, segundo ela.
"Onde já se viu quatro funcionários, agente, tomar conta de 50 adolescentes? Não tem condição uma coisa dessa. A falta de segurança foi muito grande. Efetivo e segurança", detalhou emocionada.
Arnaldo Campos Garcia estava na instituição há 22 anos. Ele havia ingressado na função em 2000, ainda quando ainda se chamava Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor). Conforme Angela, seu esposo já havia sido agredido em uma outra oportunidade, quando teve ossos do rosto fraturados em uma outra confusão, ocorrida há seis anos.
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