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Miniusinas nucleares: Entenda por que a Marinha quer o Brasil na disputa pelos reatores

Após audiência na Câmara, tecnologia modular ganha peso como peça-chave para a descarbonização e defesa nacional; saiba o que são os 'reatores de bolso'

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 14/04/2026 às 18:42

Atualizado em 14/04/2026 às 19:04

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SMRs são versões reduzidas das usinas nucleares tradicionais, desenvolvidas para operar com menor capacidade de geração / Divulgação

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O debate sobre o futuro da energia nuclear no Brasil ganhou novo peso institucional após a entrada formal da Marinha na discussão sobre os Small Modular Reactors (SMRs), os chamados pequenos reatores nucleares modulares.

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Em audiência pública realizada no último dia 7 de abril, na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, representantes da Força defenderam a criação de um marco regulatório robusto para permitir o avanço dessa tecnologia no país, especialmente em aplicações marítimas e estratégicas.

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A movimentação coloca o Brasil diante de uma decisão relevante sobre seu posicionamento na nova corrida global por tecnologias nucleares compactas, vistas internacionalmente como uma aposta para descarbonização, segurança energética e expansão do poder naval.

Este assuntp é o principal interesse do setor portuário do Brasil: portos do país investem R$ 380 milhões em tecnologia para monitorar embarcações.

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O que são os pequenos reatores nucleares modulares

Os SMRs são versões reduzidas das usinas nucleares tradicionais, desenvolvidas para operar com menor capacidade de geração, mas com maior flexibilidade de instalação e operação. A principal diferença está na modularidade: grande parte dos componentes pode ser fabricada em ambiente industrial e transportada pronta para montagem no local de operação.

Esse modelo reduz custos de implantação, acelera cronogramas e amplia o potencial de uso em áreas isoladas, polos industriais, plataformas offshore e até embarcações.

A tecnologia vem sendo estudada globalmente como alternativa para geração de energia firme de baixo carbono, sobretudo em setores onde fontes renováveis intermitentes ainda enfrentam limitações operacionais.

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Entre os usos debatidos estão a instalação de SMRs em plataformas flutuantes e estruturas offshoreEntre os usos debatidos estão a instalação de SMRs em plataformas flutuantes e estruturas offshore (Divulgação/Petrobras)

A participação da Marinha no debate ocorre por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha e da Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, órgãos ligados ao Programa Nuclear da Marinha — iniciativa estratégica que há décadas desenvolve tecnologia nuclear voltada à defesa e à propulsão naval.

Durante a audiência, o diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, almirante de esquadra Alexandre Rabello de Faria, destacou que os SMRs podem representar uma oportunidade histórica para o país.

Segundo ele, caso haja coordenação entre Estado, indústria e reguladores, o Brasil poderá usar a tecnologia para fortalecer sua soberania tecnológica, ampliar a segurança energética e ocupar posição estratégica na transição energética mundial.

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O maior porto da América Latina também está interessado: novo Porto de Santos aos 134 anos une tecnologia, sustentabilidade e integração urbana.

Aplicações vão além da geração elétrica

Embora a discussão pública sobre energia nuclear normalmente se concentre em usinas terrestres, o foco da Marinha está especialmente nas aplicações marítimas e logísticas da tecnologia.

Entre os usos debatidos estão a instalação de SMRs em plataformas flutuantes, estruturas offshore, regiões remotas sem conexão com a rede elétrica e, futuramente, embarcações mercantes de grande porte.

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A possibilidade de utilização em navios comerciais ganha relevância num momento em que a indústria marítima global enfrenta crescente pressão para reduzir emissões de carbono e cumprir metas ambientais internacionais.

Apesar do potencial estratégico, representantes da Marinha deixaram claro que o principal obstáculo para adoção dos SMRs no Brasil ainda é regulatório.

O secretário naval de Segurança Nuclear e Qualidade, almirante da reserva Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, afirmou na audiência que o país precisa construir um arcabouço normativo sólido antes de qualquer avanço prático.

Segundo ele, a Marinha já atua junto a fóruns internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização Marítima Internacional (IMO), para acompanhar os padrões regulatórios mais recentes e adaptar o Brasil às exigências globais.

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Sem esse marco legal e técnico, qualquer aplicação da tecnologia permanecerá limitada à fase conceitual.

Brasil tenta não ficar para trás na corrida global

O interesse brasileiro ocorre em meio à aceleração internacional no desenvolvimento da tecnologia. Países como Estados Unidos, Canadá, China, Rússia e Coreia do Sul já avançam em projetos próprios e disputam liderança no mercado global de SMRs.

A diferença brasileira está no enfoque estratégico dado ao tema: enquanto muitos países tratam os reatores modulares como solução energética, o Brasil os discute também como instrumento de soberania tecnológica, defesa nacional e projeção marítima.

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Com isso, a entrada da Marinha no debate amplia o peso político da pauta e transforma os SMRs em mais do que uma aposta energética: uma possível peça-chave da estratégia nacional para infraestrutura crítica, logística marítima e autonomia tecnológica nas próximas décadas.

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